a beleza da minha destruição

a beleza da minha destruição

noite traiçoeira
prestidigitadora
oásis da minha sede
quando o sol dá as costas

empresta raios ansiosos
plasma lua
em teu corpo

sei reger noites
para te contemplar
faço luzes
para represar teus contornos

enquanto amas
a beleza da minha destruição

wasil sacharuk




rasgo lírico de espinhos

rasgo lírico de espinhos

lavo-te
a jorrar poesia
toque de ourives
produto final
raro artefato
sem traços concretos
livre artesanato

esfrego-te
o brilho da mente
um fiat luz
e os insights
a chama do corpo
um desejo objeto
abstrato

explodo-te
meu néctar
poema primaveril
doçura incompreendida
venenosa e agravável
rasgo lírico
de espinhos

wasil sacharuk


trova 2

trova 2

meus dedos pousam-te os lábios
percorrem os seus contornos
riscam desenho tão belo
volúpias e desadornos

wasil sacharuk


trova 1

trova 1

digas o que está previsto
quero entender os perigos
digas acerca dos riscos
se quero brincar contigo

wasil sacharuk


morcego

morcego

não abras a porta
bem sabes
eu sei voar
adentro pela janela
quando olhas a lua

wasil sacharuk


poesia no escuro

poesia no escuro

envolto em asas
encontro-te na lua
até a chegada do dia
e os raios em brasa
podem matar a poesia
livre e perdida
nas vias da liberdade

derreto tal Ícaro
com asas estendidas
valente frente ao sol
nu frente à lua
nada tenho a perder

wasil sacharuk

The Lament for Icarus, Herbert Draper

haicai 1

eu chovo tristezas
quedam as águas na terra
salgando o meu chão


wasil sacharuk


Cárcere Curitiba 3

Cárcere Curitiba 3

Calamar Cachaceiro conseguiu com Comandante Carcerário convite chamando Calamarzinho  conhecer cela com colchão comum.
Calamarzinho, congênita cria Calamar com criatura colocada caixão, começou catando cocô, contudo conseguiu chegar cargo CEO com corporações comerciais consideráveis. Comprou companhia comunicações, comprou cervejaria...

Conforme Calamarzinho chegou, Calamar começou confabular:

- Calamarzinho, caro congênito, com cartão crédito Caixa, compre celular com cinco chips, com carga cheia, com câmera chelfs.

- Câmera chelfs?

- Certo, cumpanhero Calamarzinho. Com câmera chelfs Calamar colocará circular cara carente com cuidados,  como Calamar cobre corpo com cobertor, como Calamar coloca cabeça colchão comum, como Calamar caga com cagatório conjugado, como Calamar conduz campanha com celular conversando com coordenadores. Calamar conquistará comiseração criaturas comuns, colaborando com candidatura.

- Comprarei, caro camarada.

- Caralho, Calamarzinho. Camarada confere com coisas comunistas. Continua calado, catador cocô!

wasil sacharuk


Cárcere Curitiba 2

Cárcere Curitiba 2

"Chegue cá, cumpanhero carcerero. Conforme cumpanhero conhece, Calamar conduziu chefia continente Carnaval conquistando carinho criaturas carentes. Como carcerero confere com criatura cujo contracheque cria comiseração, considerei conversar com caro cumpanhero.
Calamar considera conceder cerca cinco centenas cruzados como colaboração com custos cabíveis com caro carcerero. Cumpanhero conseguirá comprar carne, comprar charutos, comprar champanha, comprar carro, comprar casinha centro Copacabana... carcerero conquistará coisas com conjuge, com crianças.

"Caraca, chefe Calamar. Como carcereiro carece colaborar com chefe?

"Calma, cumpanhero. Carece começar copiando chave cela. Carece continuar comprando cachaça cinquentenária, carece continuar comprando créditos celular... Calamar colaborará com carcerero com coração condoído. Conte cédulas, cumpanhero.

wasil sacharuk


Cárcere Curitiba 1

Cárcere Curitiba 1

Calamar Cachaceiro, conhecido criminoso com centenas crimes corrupção, cabalmente condenado cumprir cana compartilhando casa com chefe carioca chamado Cabral. Como chefe central continente chamado Carnaval, Calamar configurou conduta correspondente com certa cretinice, conivente com corrupção, com conchavos com construtoras. Canalizou cerca cinco centilhões cruzados comprando coisas continentais, comprando criaturas, corrompendo caráter cantor Chico, cantor Caetano, Chaui, comprando casas conjugadas, comprando cachaça cinquentenária, consumindo com canudinho. 

Calamar consiste criatura corrupta, canastrão cuja cara confere com cu cabeludo. 

Confira causos com Calamar Cachaceiro, cheios com canalhices cravejadas com cinismo correspondente com criações conduzidas com CaraCabeludo.



musa

musa

não me proíbas de te pintar nua
capturar-te emoldurada
       procurar teus fluidos
          arrancar teus suspiros

não me proíbas de te ter como musa
                         de te brindar poesia
ofertas à deusa
          dos mil sacrifícios

wasil sacharuk


o que o teu coração quer

o que o teu coração quer

procuro-te no ar
asas de passarinho
amor de menino
carinho e suor
meu dedo na ponta
do teu nariz

teu olhar ingênuo
sorri divertido
nos teus cabelos
perco meus dedos
deslizam fáceis
tal lágrimas de felicidade

faças então
o que teu coração quer
ele não é escravo
de um amor que abusa
e reclama
deixa ele tirar
a tua blusa
e dizer que te ama

e essa minha vontade
que grita na carne
de saber o segredo
de um suspiro qualquer

deliras na dança
da união dos teus mares
e dos dons incontáveis
que te fazem mulher

faças então
o que teu coração quer
prende com cravos
minha alma suja
na tua cama
e me deixa gozar
no teu olhar de coruja
na tua pele cigana

wasil sacharuk


Duro

Duro

faço gelo
no meu coração
blocos cortantes
fio de diamante
obtuso
e duro
corte cristal

sem impacto
sem desvelos
sem corante
sem conservante
nem emoção
apenas razão
e uma pitada de sal

wasil sacharuk



queda livre

queda livre

devagar
e tão pleno
teu beijo
invade minha boca
explora recônditos
passeia livre
poesia e língua
se dão libertinas
enroscam aos dentes
entrelaçam
gentilmente soltas

queda livre
leva-me ao céu
um estranho céu

wasil sacharuk



Relíquia de sangue

Relíquia de sangue

adornadas asas
sobrevoaram savanas
ela dançou para a lua
venturas ciganas
quando a fúria dos ventos
espalhou queda d'água

as forças e os argumentos
aboliram as pragas
mas nada
conseguiu fenecer
o jardim
das suas belezas

na inundação
dezenas de estrelas
despencaram caladas

quando o raio
incrustou sua pele
percorreu os mistérios
acordou escorpião
fez relíquia de sangue
de graça e de inferno
de um amor para sempre

wasil sacharuk


sobre o poeta

sobre o poeta

num campo de abstração
perdi as galochas
e na poesia
empurrei alicerce
escorei firmamento

sou poeta eremita
de heresia ironia e lamento
mistura de pó de estrelas
com pó de cimento

urbano sem urbanidade
a recusa da natureza
desafio aos arcanos
das obviedades

trago-te a doçura
dos meus infernos
e a face obscura
dos meus intentos

wasil sacharuk


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