Sabes, Amora, eu deveria pensar em não chover mais em ti, mas isso não importa se usas guardachuva. Amora, não tenho capa sequer uso luvas, saíram de moda. E se te incomoda tu te apartas dos pingos da chuva, te resguardas no abrigo se minha chuva te molha. Mas vai, vai Amora, leva a cadeira e teu maldito guardachuva, senta lá fora sem roupas. Mas naquela hora, amada Amora, eu bem sei que tu ficas louca se eu mergulho nos teus olhos em cântaros. Amora, vejo sóis se chovo em tua boca.

lua doente de amor

lua doente de amor

pérolas liquefeitas
resvalam copiosas
ao punhal que perfura
o centro da dor

vertem cristais
de gosto amargo
palidez e torpor
dos globos rajados
pupilas em flor

ajuntam estragos
nos vales gelados
da última lua
doente de amor

wasil sacharuk


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