Sabes, Amora, eu deveria pensar em não chover mais em ti, mas isso não importa se usas guardachuva. Amora, não tenho capa sequer uso luvas, saíram de moda. E se te incomoda tu te apartas dos pingos da chuva, te resguardas no abrigo se minha chuva te molha. Mas vai, vai Amora, leva a cadeira e teu maldito guardachuva, senta lá fora sem roupas. Mas naquela hora, amada Amora, eu bem sei que tu ficas louca se eu mergulho nos teus olhos em cântaros. Amora, vejo sóis se chovo em tua boca.

Fagulhas e medialunas



Fagulhas e medialunas

Da nossa nave
deprendem
fagulhas luminosas
espocam livres aos pares
ferindo a crosta

carregamos a caixa
com pequenos óvnis
autossustentáveis
e não poluentes
embarcaremos neles
para ver a lua

comeremos medialunas
duas crateras à esquerda
do campo de pouso

wasil sacharuk

para a poeta Márcia Castilho


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