lua doente de amor

lua doente de amor

pérolas liquefeitas
resvalam copiosas
ao punhal que perfura
o centro da dor

vertem cristais
de gosto amargo
palidez e torpor
dos globos rajados
pupilas em flor

ajuntam estragos
nos vales gelados
da última lua
doente de amor

wasil sacharuk


das vozes abissais

das vozes abissais

sem sentido
cisma
a esquizofrenia

escapa à normose
tal psicopatologia
acordes de versos
jornada sinfônica

na caverna platônica
das dissonâncias
a loucura e o medo
recitam segredos
ecoam nas pedras
vozes abissais

wasil sacharuk


tatoo

tatoo

Adornaste a mim
            então feio
a ti me fiz tanto
           mais belo
devotei minha fé
tatuada num verso singelo
e teu dedo
irrompeu em minha boca
enroscou na língua louca
           deliciada ao sabor
                          do teu pé

wasil sacharuk


energia

energia

indomável córrego
 entrerrios
verte arroios sombrios
         dentre as pedras
brilha vincos de sol
       sobre as matas
nutre postes de luz
           sob as luas

wasil sacharuk


Sopro



Sopro

O convite feito era para dançar
mas chegou aos poros da poesia
um convite para amar

Embebidos na magia
os  versos verteram suor
falaram das coisas belas

E a despeito do pudor
que se fazia véu sobre as janelas
soprou as velas das rezadeiras

Cobriu-se do sopro  que a noite enleia
esperou o rebento do dia
repleta de lua faceira

Angela Mattos & Wasil Sacharuk

ela odeia o sistema

ela odeia o sistema

Morena
é a filha pequena
de um homem branco
com Filomena

ela canta ciranda
logo reza novena
ela salta ela dança
depois chora e grita
ela odeia o sistema

Morena encanta
quando ajunta fonemas
e põe laço de fita
num papel de poema

wasil sacharuk


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