Não estou para falar de amor, se ele ainda não dói, nem rói e nem pede flor. Não há flores na minha poesia, pois as arrancadas são mortas, são decoração de sepultura e meu poema é heresia. Conheço esse tal de amor, não encontrei deus algum e amor e deus até podem ser compatíveis mas não dependem um do outro. O único ponto em comum: eles não são invencíveis. Não falarei de coisas que desconheço, pois o meu apreço é pelo amor que sinto e não devo a uma criatura que o senso comum insinua e minha cabeça não atura. Minha escrita é a riqueza que colho do meu presente, mesmo que seja inventado, pois poeta mente, mas não se faz ausente e eu não vivo de passado nem me dedico à tristeza. Só quando fico parado. Grito contra o que abomino e não suporto determinismo. Minha ferramenta é o poema e meu alvo é o sistema. Sou tipo existencialista, meio insano meio analista, falso moralista, talvez sartreano. Tenho a marca da história, todo gaúcho é artista e sou pampeano com muita honra e glória. Sou amigo da filosofia e esta não é feita de fadas nem gnomos e crenças, nem de almas penadas ou universais desavenças. Eu vim aqui escrever poesia e isso para mim não é só brincadeira, pois no fim o que consome energia é o abre e fecha da porta da geladeira

Fagulhas e medialunas



Fagulhas e medialunas

Da nossa nave
deprendem
fagulhas luminosas
espocam livres aos pares
ferindo a crosta

carregamos a caixa
com pequenos óvnis
autossustentáveis
e não poluentes
embarcaremos neles
para ver a lua

comeremos medialunas
duas crateras à esquerda
do campo de pouso

wasil sacharuk

para a poeta Márcia Castilho


Catilinas conversa com Chauí

Catilinas colocou casaco contra congelamento corporal, conseguiu carona com caminhoneiro cuiabano. Conforme chegou capital chamada Curitiba, concebeu compartilhar camping comunista, com companheiros cuja condição compete com coçar colhões, coçar chavascas, contornando cela cuja confederação colocou criminoso canalha, chamado Calamar Cachaceiro, cumprir cana.
Catilinas conheceu criatura controversa, com cabelos crespos, com camiseta colorada, como Chapolin. 

Catilinas conversou:

-Como chamas, criatura?

-Chauí.

-Conta, companheira Chauí, como consegue colar cu cadeira confronte cela criminoso Calamar?

-Caro Catilinas, Calamar criatura cuja consciência compete com cientista continental, criou condições carentes comprarem casa, criou Cesta Comunitária, cuja competência consiste com carente comprar comida, criou carreiras, construiu colégios, conquistou continente com conversa consistente. Cidadãos classe central culpados! Calamar coincide com criatura com conduta cristalina. Contudo, Catilinas, classe central cínica! Colocou Calamar cadeia com cama cujo colchão carece conforto. Configuraram conspiração contra Calamar Cachaceiro. Contudo, caro companheiro, Calamar colocará candidatura como comandante confederativo.

-Caraca, companheira Chauí, confundindo Calamar Cachaceiro com Cristo? Como criminoso corrupto, Calamar carece cumprir cana.

-Calamar crucificado como Cristo! Colocaram Calamar cadeia como critério coibir candidatura, Catilinas. Classe central culpada, Catilinas. Classe central composta com canalhas. 

-Credo, Chauí. Como consegue criar consciência comparável com cinismo? Criatura, cabeça Chauí configurada como cu, calibrando cada cagalhão como convém! Cala, criatura!

wasil sacharuk




considerações como confederação chamada Carnaval combateu congestionamento causado com caminhoneiros

considerações como confederação chamada Carnaval combateu congestionamento causado com caminhoneiros

chefe Câmera Comércio convocou Central Caminhoneiros colocarem caminhões congestionando cruzamento. Cada caminhoneiro colocou cartaz com chamamento convocando chefia central considerar capital comprometido com compra combustível. Compete Chefia Central considerar como conscientizar cidadão como combustível carece cobrir caos causado com corrupção.

Carece capitalizar companhia cujo capital contribuiu com compra casas, chácaras, condomínios, carros, colares, colocar capital congestionando cofres confrontados com contas correntes com companhias continentais cuja competência confere com continua calado com condições correspondentes com cálculos conduzidos com cliente correntista.

Contudo, cidadãos cuja casa confere com confederação chamada Carnaval, continuam com cara chapada, com cultura carente, com cabeça cheia com cocô. Cidadão continua como camelo, carregando corcova carcomida. Cabe cidadão considerar continuar comparecendo colégio, como critério consolidar cultura centro cabeça.

wasil sacharuk


Considerações cabalísticas

Considerações cabalísticas

canal comunicativo cujo conceito compete comentar coisas concernentes com conjuntura, colocou convite convocando criaturas comparecerem conversação crítica com coxinhas cheiradores, com comunistas comedores criancinhas, considerando comentar como Comandante Central conduz condições como cidadãos convivem. Coube cada convidado comentar como compra comida, como contabiliza contas, como contrata crédito consignado, como compra combustível, como considera congestionamento causado com caminhoneiros, como concorda com cretinice, como compactua com candidatos canalhas. Contudo, cada cidadão continuou calado, com cara compatível com cu cagado. Cada cidadão colabora construindo considerável cagalhão continental!

lua doente de amor

lua doente de amor

pérolas liquefeitas
resvalam copiosas
ao punhal que perfura
o centro da dor

vertem cristais
de gosto amargo
palidez e torpor
dos globos rajados
pupilas em flor

ajuntam estragos
nos vales gelados
da última lua
doente de amor

wasil sacharuk


das vozes abissais

das vozes abissais

sem sentido
cisma
a esquizofrenia

escapa à normose
tal psicopatologia
acordes de versos
jornada sinfônica

na caverna platônica
das dissonâncias
a loucura e o medo
recitam segredos
ecoam nas pedras
vozes abissais

wasil sacharuk


tatoo

tatoo

Adornaste a mim
            então feio
a ti me fiz tanto
           mais belo
devotei minha fé
tatuada num verso singelo
e teu dedo
irrompeu em minha boca
enroscou na língua louca
           deliciada ao sabor
                          do teu pé

wasil sacharuk


energia

energia

indomável córrego
 entrerrios
verte arroios sombrios
         dentre as pedras
brilha vincos de sol
       sobre as matas
nutre postes de luz
           sob as luas

wasil sacharuk


Sopro



Sopro

O convite feito era para dançar
mas chegou aos poros da poesia
um convite para amar

Embebidos na magia
os  versos verteram suor
falaram das coisas belas

E a despeito do pudor
que se fazia véu sobre as janelas
soprou as velas das rezadeiras

Cobriu-se do sopro  que a noite enleia
esperou o rebento do dia
repleta de lua faceira

Angela Mattos & Wasil Sacharuk

ela odeia o sistema

ela odeia o sistema

Morena
é a filha pequena
de um homem branco
com Filomena

ela canta ciranda
logo reza novena
ela salta ela dança
depois chora e grita
ela odeia o sistema

Morena encanta
quando ajunta fonemas
e põe laço de fita
num papel de poema

wasil sacharuk


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