Sabes, Amora, eu deveria pensar em não chover mais em ti, mas isso não importa se usas guardachuva. Amora, não tenho capa sequer uso luvas, saíram de moda. E se te incomoda tu te apartas dos pingos da chuva, te resguardas no abrigo se minha chuva te molha. Mas vai, vai Amora, leva a cadeira e teu maldito guardachuva, senta lá fora sem roupas. Mas naquela hora, amada Amora, eu bem sei que tu ficas louca se eu mergulho nos teus olhos em cântaros. Amora, vejo sóis se chovo em tua boca.

Não havia nada nesse mundo tal aquela criatura

Não havia nada nesse mundo tal aquela criatura

Ainda que o reprovassem
Jamais hesitava exacerbar a descrença. Crítico ferrenho das instituições, das corporações e ideologias, definia a existência ao declínio das teologias, das ciências e filosofias.

Ainda que o reprovassem
Era adepto ao amor. Philos, Ágape, Eros. Entendia ódio tal amor em ruínas.

Ainda que o reprovassem
Da sua sementeira voavam minúsculos grãos. Nutriam os estômagos logo após o crivo da terra. Sabia que plantar era necessário e viver não era uma escolha.

Ainda que o reprovassem
Dia desses ofertou aos pássaros e borboletas uma rosa escancarada. Dela desprenderam sorrisos de néctar.

Tudo porque ele sabia
Que amor não tem dono
Que a fé não frequenta igrejas
Que o conhecimento é um mutante vivo e sagaz.

Não havia nada nesse mundo tal aquela criatura
Quando desatava os nós com seus dedos carinhosos
Quando cobria os gelados, os mortos e os calculistas com imenso cobertor.

E não contava nada disso a ninguém. Nada. Nada.
Era ele expectador dos próprios méritos. Singular autor de seu anonimato. Singular tal as outras criaturas. E singular sabia ser.

E por isso o reprovavam.

Tudo por que sabiam
Com toda a força do mundo
Que ele odiava a hipocrisia.

wasil sacharuk

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