Sabes, Amora, eu deveria pensar em não chover mais em ti, mas isso não importa se usas guardachuva. Amora, não tenho capa sequer uso luvas, saíram de moda. E se te incomoda tu te apartas dos pingos da chuva, te resguardas no abrigo se minha chuva te molha. Mas vai, vai Amora, leva a cadeira e teu maldito guardachuva, senta lá fora sem roupas. Mas naquela hora, amada Amora, eu bem sei que tu ficas louca se eu mergulho nos teus olhos em cântaros. Amora, vejo sóis se chovo em tua boca.

dos tempos de crise

dos tempos de crise

já cutucou a língua
num canto da lua
aveludada de amor
hoje lambe o amargo
das correntes de aço

intrincados elos

a cruz forma vértices
ângulos retos
aos braços

e os tímpanos
tilintam silêncio
espocam incertos

pende o corpo
carne esqueleto
mas não é morto
apenas repleto

wasil sacharuk

sobre os tempos de crise
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