Não estou para falar de amor, se ele ainda não dói, nem rói e nem pede flor. Não há flores na minha poesia, pois as arrancadas são mortas, são decoração de sepultura e meu poema é heresia. Conheço esse tal de amor, não encontrei deus algum e amor e deus até podem ser compatíveis mas não dependem um do outro. O único ponto em comum: eles não são invencíveis. Não falarei de coisas que desconheço, pois o meu apreço é pelo amor que sinto e não devo a uma criatura que o senso comum insinua e minha cabeça não atura. Minha escrita é a riqueza que colho do meu presente, mesmo que seja inventado, pois poeta mente, mas não se faz ausente e eu não vivo de passado nem me dedico à tristeza. Só quando fico parado. Grito contra o que abomino e não suporto determinismo. Minha ferramenta é o poema e meu alvo é o sistema. Sou tipo existencialista, meio insano meio analista, falso moralista, talvez sartreano. Tenho a marca da história, todo gaúcho é artista e sou pampeano com muita honra e glória. Sou amigo da filosofia e esta não é feita de fadas nem gnomos e crenças, nem de almas penadas ou universais desavenças. Eu vim aqui escrever poesia e isso para mim não é só brincadeira, pois no fim o que consome energia é o abre e fecha da porta da geladeira

ditirambo

ditirambo

tua saúde mental
essa malabarista
movida a álcool
toda cagada na corda bamba
depende da minha estima
depende da minha emoção

nem sabes cantar algum samba
ou meu ditirambo perdido
mas tu não podes brigar comigo
pois eu te levanto do chão

wasil sacharuk


Sobre o Fogo

Sobre o Fogo

Seria o amor coisa doce
não fosse essa estranha dança
sobre o fogo de feitiçaria

seria amor se não fosse
esse estranho jogo de cobrança
sob o gelo da hipocrisia

onde vislumbro a palavra macia
e esses olhos de desconfiança
de quem oculta insanidades

onde descubro que me desafia
quando sugestionas andanças
no território das meias verdades

vejo o entrecorte das suas vontades
que afiam a faca da torpe vingança
com a cabeça ofertada numa bandeja 

recorro a rezas, a preces, entidades
- bem lá no fundo, quero-me esperança 
de que o que vejo, mais assim não seja -

Seria o amor coisa doce
fosse movimento e mudança
sobre o fogo da poesia

Lena Ferreira & Wasil Sacharuk

 Versos Sintônicos

a princesa do sul


a princesa do sul

eu te amei no vale dos sonhos
numa tarde de sexta-feira
num cochilo na cadeira
sonhei com teus olhos risonhos

teus finos traços de princesa
cabelos negros formavam espirais
única herdeira do amor dos teus pais
a sucessora da realeza

naquele vale havia uma aldeia
logo no centro do bosque encantado
onde a sorte daquele reinado
era manipulada pela feiticeira

sob o agouro de uma tentativa
a magia negra no bosque vingou
não restaram pessoas vivas
somente tu, a princesa, escapou

e passaram-se dezesseis anos
quando então te tornaste rainha
sem o teu povo reinavas sozinha
aos duros desígnios dos arcanos

mas num certo dia tiveste a visão
de uma deusa envolta em seu manto
que prometia quebrar o encanto
assim que tu beijasses o chão

então a terra ofertou as mercês
o abraço materno envolveu-te ao colo
o encanto sombrio quebrou-se de vez
quando teus lábios tocaram ao solo

o céu em festa recobrou seu azul
a linda aldeia tornou-se cidade
tornou-se recanto de felicidade
e foi batizada Princesa do Sul

e nos meus sonhos eu quero
voltar sempre para nossa aldeia
à margem da praia espero
 minha princesa beijar lua cheia

wasil sacharuk


acerca da ilusão

acerca da ilusão

a casa onde mora ilusão
não é um buraco no vão
ou argumento destituído
utopia inconsistente 
silogismo diluído

não tem no juízo 
a sua razão
habita um recôndito empírico
não tem estatuto científico
é só desejo de pura expressão

a ilusão tem a cara da musa
de natureza doce e confusa
para insinuar a fantasia

é mãe do fogo da criação
a leal amiga da inspiração
que nasce no reino da poesia

wasil sacharuk


ela quer dançar para a Lua

ela quer dançar para a Lua

ela chega bem leve
cadência tão quieta
           poisa silente
em compasso de pluma

ela cai chuva fria
despenca repleta
no meu corpo quente
           em gotas nuas

ela aponta o poente
seus sussurros molhados
declamam eloquentes
versos improvisados

denuncia segredos
confessa silêncios
que ouço encantado
de olhos fechados

   ela quer dançar dançar
                   vai dançar
       para a Lua

ela quer dançar dançar
                     vai dançar
                para a Lua

ela mostra tão lindas
       suas asas abertas
de matizes brilhantes

ela tremeluz radiante
        sobre a fogueira
tal serpente de vento
      enroscada na voz
de um sopro
      um sopro
        um sopro

ela aproxima cadente
na boca o sorriso
sorri divertido
         de um só lado

denuncia segredos
confessa silêncios
que ouço encantado
de olhos fechados

    ela quer dançar dançar
                   vai dançar
       para a Lua

ela quer dançar dançar
                     vai dançar
                para a Lua

wasil sacharuk


velho blues

velho blues

hoje durmo na calçada
armo barraca na rua
meto o pé na estrada
lanço fumaça pra lua

passo a perna na vida
não faço sinal da cruz
eu sei viver na batida
o trem desse velho blues

lua cheirosa de incenso
no fogo da quintessência
no velho blues eu descanso
no embalo dessa cadência

e ainda eu junto as maricas
em busca de calor e luz
a barriga ronca larica
no trem desse velho blues

no trem desse velho blues

wasil sacharuk


verbo alado

verbo alado

não desejo
dizer impropérios
pois não pretendo
 ser esmagado
dessa sociedade
elemento banido
sem rastro de escrúpulo 
ou qualquer bom motivo

não pedi
 para ser perdoado
o que me dói 
não pede remédio
a minha fé 
não oculta mistérios
o meu ministério 
exerce o pecado

o meu argumento 
é incompreendido
tem ponta de raio 
e também lenitivo
então é relegado
ao total despautério

para se dizer
carece critério
tratar das ideias
 com certo cuidado
não se pode irromper
de espírito despido
nem ser tão sincero 
sequer agressivo

sei que a felicidade 
passeia ao meu lado
não pede verdades
crenças e assédios
o meu ateísmo 
é um bom refrigério
encontro meu deus 
num verbo alado

wasil sacharuk


por fora da linha

por fora da linha

vejo-te cá
célebre e insana
bebendo cerveja 
numa latinha
torturas sem dó 
e sem discernimento
aos que vivem à sombra 
dos lamentos

tu bebes o sangue
e nunca definhas
e te fartas de luz 
nessa sede sacana
abraças ao diabo 
com graça e com gana
em meio ao teu fogo 
de erva daninha

tu que escapas 
ao letal julgamento
tascas a picareta 
num céu de cimento
antítese notória
de uma fadinha
asas abertas 
no inferno de lama

não é só poesia 
que a noite reclama
apontas teu dedo 
tal uma varinha
as unhas que juram
o rasgo sangrento
um parto na noite
um novo rebento

tua palavra 
oculta artimanha
sem rastro de rodas 
da tua caravana
se tu te insinuas
secreta e cigana
nos versos ocultos 
por fora da linha

wasil sacharuk


questão teleológica

questão teleológica

será o poeta
meramente um esteta
finge o que sente
sentimento ausente?

se finge o que sente
logo sente o que finge
está mesmo presente
ou somente restringe

de qualquer signo
deságua uma fonte
coração é desígnio
poesia é horizonte

wasil sacharuk


paira a voz

paira a voz

paira a voz
sopro cuidadoso
manobras de vento
pela corda bamba

a voz pedra muda
quando a água desanda
a escorrer pensamento
marujo ruidoso

e qualquer palavra
cutuca e crava
os seus absurdos

paira a voz
pelo tom silencioso
sem dó sem lamento
não dá samba

a voz pedra surda
na vertente que canta
pelo ritmo lento
porta som poderoso
e qualquer palavra
empurra e trava
as portas do mundo

paira a voz
no silêncio curioso
seu secreto elemento
tanto diz e encanta

wasil sacharuk


gotas de som

gotas de som

enquanto correr o rio
andarei contigo
pelos atracadouros
dos tempos

enquanto brilhar a lua
guardar segredos de ouro
percorrerei as ruas
dos teus pensamentos
invadindo teus olhos

ya ya ya - ya ya
na chuva

ya ya ya - ya ya
na chuva

teu fogo de bruxa
imprimirá serpentes
de sombra nas paredes
soprarei gotas
de sons no teu ouvido
tal fossem um vento
um vento
um vento

ya ya ya - ya ya
na chuva

ya ya ya - ya ya
na chuva

wasil sacharuk





Cárcere Curitiba 8



Cárcere Curitiba 8

-carcerero, carcerero, consegue celular. Careço chamar cumpanhera Crazy conversar comigo.
------------
-Crazy, cumpanhera Crazy!

-chefinho!

-capturaram Chinelão, chefe corrupção carioca?

-capturaram, chefinho. Colocarão Chinelão confinado cadeia.

-caraca, cumpanhera. Chinelão confere com criatura com carência categoria conviver cadeia curitibana comigo, com cumpanhero Cabral. Consegue com cumpanheros causidicos conseguirem conduzir Chinelão cadeia Charqueadas. Conviver comigo, com Cabral, confere com coisa cujo corrupto condenado carece categoria como chefe, carece crasse. Continuo com cisma contra Chinelão. Criatura cagou corrupção carioca. Como confiar? Consegue colocar Chinelão cadeia capixaba, cearense, catarinense...

-claro, chefinho Calamar. Conseguirei com causidicos colocar Chinelão cadeia Capital. Contudo, caso chefinho careça comer Crazy, compete chamar celular. Crazy corre contentar chefinho.

-Caraca, cumpanhera!

wasil sacharuk


somos a graça

somos a graça

a graça é a beleza
e ter os meus olhos
para ver hmm hmm
para ver oh oh
para ver

a graça é o amor
e ser coração
para sentir hmm hmm
para sentir oh oh
para sentir

o universo sou eu
e és tu
o universo és tu
e sou eu
e sou eu oh oh
e sou eu

a graça é o tempo
e ter os meus dias
para viver hmm hmm
para viver oh oh
para viver

a graça é saber
e ser compreensão
para entenderr hmm hmm
para entender oh oh
para entender

o universo és tu
e sou eu
o universo sou eu
e és tu
e és tu oh oh
e és tu

wasil sacharuk


Cárcere Curitiba 7

Cárcere Curitiba 7

Criatura com cheirador corrigido com cirurgia, chefe congregação comunista, chamada Crazy, chegou cadeia curitibana carregando caixa cheia com cachaça cinquenteum, chocolates,cervejas, canapés, caviar, charutos....

-chefinho carece comer. Certamente comida cadeia com consistência carente. Chefinho Calamar com calças caindo,

-Claro, claro, cumpanhera Crazy. Conforme cunversamo coisas compatíveis com comunismo, Calamar comerá chocolate com copo cheio com cerveja.

-conta, chefinho. Como consegue conviver com condenação? Chefinho carece colchão confortável. Cadeia contaminada com catinga. Carcereiro considera chefinho Calamar como cachorro. Comprarei congelador. Chefinho colocará cerveja.

-Cumpanhera, Calamar curte cachaça, curte cerveja, contudo, Calamar carecendo comer cu.

-Claro, chefinho. Crazy concederá. Começará com chupadinha.

-Certo cumpanhera. Cumeça!

-chup chup chup

-caaa caaaa caaaaa

-Contente, chefinho?

-Corre criatura, chama clínico. Calamar com crise cardíaca!

-Carcereiro, carcereiro! Chama clínico cubano. Chefinho Calamar com coração congestionado!

-Cubano caralho, cumpanhera Crazy! Chama clínico com certificação!

wasil sacharuk


golpe

golpe

professora conta
que Lula é herói
os pais afirmam
que é bandido
e o garoto
nem dá bola
absorto e perdido
no quintal da escola
que defende partido

wasil sacharuk


O Sentido da Poesia



O Sentido da Poesia

O que há de belo na poesia?
poucos entendem a sua beleza
se ela não segue a um padrão
sequer se conforma à razão

Seja clichê de céu turquesa
ou estrelado de idiossincrasia
um recorte instantâneo do dia
com pouca ou muita certeza

Poesia respira e inspira emoção
trajada na lógica ou na abstração
na sua forma revela a fineza
até mesmo se acalma na rebeldia

Poesia que brilha na ousadia
e nos encantos da delicadeza
no colo sagrado da construção
onde a beleza apreende a lição

Mas ser poeta não põe mesa
então qual o sentido da poesia?
É ser surpreendido algum dia
surpreso com a própria surpresa!

wasil sacharuk
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Van Gogh

Oráculo



Oráculo

os búzios são conchas da sorte
e eles trazem mensagens do mar
não há clareza sequer evidência
só confiança na clarividência

a borra de café pode falar
a quem sabe ler o seu recorte
e antecipar do destino o aporte
mas das agruras não pode salvar

aquecer óleos de perfumaria
não vai destravar a sina do dia
mas pode soltar aromas no ar
fazer a cor da aura mais forte

quiçá a divindade se importe
com o incenso aos pés a queimar
questões complexas à cartomancia
respostas tratadas com diplomacia

a quiromante manda espalmar
sabe o dia e a hora da morte
os enredos as dores os cortes
sugere oferendas num alguidar

antever o destino pelas profecias
atende ao desejo das vidas vazias
é preciso coragem para continuar
ainda que a bússola oculte o norte

wasil sacharuk
oraculo

Lírica!



Lírica!

Lírica do grito desvairado
Investe teu sonho pervertido
Risca na minha pele nua
Interstícios de suor decantado
Cata as gotas vertidas
Antes que o sol se insinue

Derrama os versos, louca
Ousa recitar ao meu ouvido
Saliva um poema em minha boca

Serve a poética aos seios
Envolta no fogo imaginativo
Incendeia sob o vestido
Os versos do meus desejos
Seduz o meu olhar cativo

wasil sacharuk
lirica

Visionário



Visionário

O instável momento precário
reluta mas pede a alforria
mas não passa de agrura
e prevalece a feroz criatura

para o ritual de todo o dia
colei uma foto no armário
ao lado do meu calendário
à esquerda dessa poesia

quero verdade mais pura
quero além da simples jura
quero uma doce rebeldia
quero toque mais refratário

nem sei se a mente depura
nem sei se tenho estrutura
nem sei se é outra mania
nem sei se me faço otário

aprendi a não ser solitário
e já sei consertar avaria
já sei cozinhar pra gastura
nem sei se a vida me atura

são as peças do meu relicário
instâncias de toda a ousadia
encantos de vã travessura
sem os toques da amargura

o que dizem que é utopia
fui buscar no meu dicionário
é um tipo de nó visionário
da mais perfeita alegria

wasil sacharuk
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O primeiro beijo



O primeiro beijo

O primeiro beijo?
Ah essa pergunta
é tanto danada
já não lembro de nada
não lembro do beijo
sequer da beijada
portanto fico
na encruzilhada
sem saber o que responder

sei que assim não se assunta
tantas lembranças o tempo ajunta
e vez por outra ocorre esquecer

mas no presente eu beijo a vida
ela revida bem na minha testa
beijo a poesia beijo a canção
até os frutos que brotam do chão
beijo o cachorro que faz festa
e cada minuto que a vida empresta

wasil sacharuk
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Desiderato d'outro anoitecer



Desiderato d'outro anoitecer

outro dia daqueles...

sem Maria sem sofia
sem argumento sem fé
desfiei aos retalhos
meus instantes

estive em pé
quebrei os meus galhos
mais um dia errante
mais um dia mulher

joguei dentes de alho
no feijão fumegante
esqueci de comer
ficou às baratas

vejo o sol bem distante
e vejo a vida morrer
no desiderato
d'outro anoitecer

wasil sacharuk

versos de viés enfadonho

versos de viés enfadonho

pelos dias esquisitonhos
perpassa grande alegrura
de sabonetar-te inteira
baunilha e laranjeira

liberto das lagrimaduras
viajante eu parto no sonho
escrevente de versos bisonhos
na tua púbis de capinadura

quando percorro tuas cadeiras
subo dos pés até as cumeeiras
a poetar pela tua textura
alguns versos de viés enfadonho

abraço aos desejos medonhos
mergulhados nas tuas farturas
a brincar nas delícias faceiras
balbuciantes palavras rameiras

e quando a coisa fica mais dura
quer entrar e sair sem estrondo
nos recantos de encantos redondos
a jorrar os fluidos da cura

wasil sacharuk


Cárcere Curitiba 6

Cárcere Curitiba 6

Circundavam calçada, centenas criaturas com camisetas coloradas, confeccionadas com cara chapada criatura chamada Che. Comunistas coordenados conclamavam cizânia, clamavam como carneiros: "Calamar candidato" "Calamar candidato", carregando cartazes com caricatura Calamar Cachaceiro. Criaturas com cútis coloridas, confinadas conduziam cartazes condizentes com "conservar cotas" "coordenados contra corfobia" "Calamar comprometido contra corfobia", clamavam consideração. Criaturas com corpos comuns chacoalhavam colhões, chacoalhavam chibil, cu, considerando comover comunidade contra chavascofobia, contra caralhofobia, contra cacofonia, contra coxinhas, contra Comandante Coiso, contra capitalismo. Criaturas cagavam chão calçada conclamando cruzada contra cufobia.

----------
Calamar Cachaceiro chegou Casa Causídicos Civis Criminais conduzido com corporação. Calçava charmosa caneleira circuitada. Carregava cantil com café conjugado com cachaça cinquenteum.

---------
-Calamar Cachaceiro conhece condição como considerar continuar calado, conquanto converse concordará com coisas contra Calamar Cachaceiro consideradas como confissão?

-Claro, Causídica. Calamar Cachaceiro corresponde criatura com considerável condição comunitária, colocou crianças colégio, construiu cisterna, combateu corrupção conquanto comandante central.

-Calado, criatura. Converse conforme convidado.

-Credo, cumpanhera Causídica!

-Concorda com compra chácara com cash corrupto, com conveniência concessionária construtora?

-Cumpanhera Causídica, Calamar Cachaceiro confere com criatura cujo comportamento condiz com coerência, conseguiu crédito, carentes compraram carro. Chácara comprada com construtora corresponde contrato construtora concessionária com cumpanhera Cadáver, contudo, Calamar considera contrato compra chácara como coisa construída com coxinhas.

-Considero Calamar Cachaceiro culpado cumprir condenação calçando caneleira circuitada, contudo, convém continuar convivendo capital centroeste, coabitando casa com crias, com condicionador climático, com cafezinho, cachacinha, churrasquinho, com celular, computador, calçando chinelas com cuecão, chambre, chamuscando charutos conseguidos com Castro.

wasil sacharuk


Cárcere Curitiba 5

Cárcere Curitiba 5

-Cumpanhero carcerero, compareça cá!
-Claro, Calamar Cachaceiro, comparecerei caso caríssimo condenado Calamar colabore com caixinha. Clube carcereiros carece cozinhar churrasco com cerveja como comemoração conquista candidato chamado Coiso. Carcereiros contentes. Cairão chefes cadeias continentais, carcereiros crivarão corpos condenados com consentimento chefias. Cada condenado cretino considerará caminhar com cuzinho cerrado! Concorda colaborar com caixinha, comandante Calamar?

-Certamente, cumpanhero. Calamar Cachaceiro colaborará com cinco centilhões. Carece carcerero chamar cria chamada Calamarzinho comparecer cadeia Curitiba.

-Cumpra-se, comandante.
--------------------
-Caro Calamarzinho, compete começar criar carreira como chefe continental. Carece contar como Calamarzinho começou catando cocô, cheirando cu criaturas confinadas cativeiro, contar como Calamarzinho comprou companhia cuja competência confere com confeccionar carne churrasco com celulose, convém contar como Calamarzinho comprou companhia centralizadora chamadas celular... Corre, Calamarzinho, compete criar carreira como candidato!

-Certo. Como conduzir campanha contra Coiso?

-Chama cumpanheros comunistas colaborar com campanha. Coloca criaturas com clitóris cristalizado contra Coiso, coloca cornos, cachorros, crianças, condenados, criaturas coloridas... coloca contra Coiso. Cria comunicação caramboleira contra Coiso. Contrata criadores comunicações cretinas, convoca chinelagem comparecer carreata com camisetas comunistas confeccionadas com cara criatura chamada Che. Convida co-candidata com carinha cadela cio, com chibil convidativo. Chama comandante continente chavascuelano Cuduro com canhões comunistas. Contudo, caso Calamarzinho chame Covarddad como colaborador campanha, cortarei colhões cumpanhero Calamarzinho! Compreendeu criatura? Contudo, corre cantina comprar cachaça! Careço consumir.

wasil sacharuk


ataranto



ataranto

quando a garganta do vulcão
rasgou palavras de fogo

quando a boca do dragão
escarrou fluidos do ódio

tua calma
não encontrou a vertente

tua alma
não se banhou no riacho

wasil sacharuk


ela ama o jonathan

ela ama o jonathan

ela ama
o jonathan
tal rio de água mansa
quando ela dança
ele encanta
se ela canta
ele dança
o jonathan
é um encanto
o jonathan
é segurança

e enquanto
a nova rima não cansa
ela convence o jonathan
ao casamento na França
o jonathan é o argumento
o jonathan é a esperança

eita festança!
não anda mais de jumento
nem ouve o ronco da pança

wasil sacharuk




Cárcere Curitiba 4



Cárcere Curitiba 4

Calamar Cachaceiro, conhecido criminoso cuja competência confere com carregar cofre continental, comprar casa conjugada, comprar chácara, colaborar com Cuba com cédulas conquistadas com corrupção, chamou carcereiro:

-cumpanhero carcerero, cumpanhero carcerero. Compareça cá. Careço conversar com candidato Covarddad. Conforme Covarddad chegar, carcerero chama Calamar. 

-Claro, comandante Calamar, contudo carcereiro carece colaborar com caixinha, comprar combustível caríssimo, comprar comida, congêneres...

-Certamente, cumpanhero carcerero. Calamar, com cortesia, cobrirá carências consumo. Conte cédulas, cumpanhero.
---------

-Calamar, Calamar Cachaceiro. Criatura chamada Covarddad chegou com companhia criaturinha co-candidata, cuja cara confere com cuzinho cagado.

-Claro, cumpanhero. Comande Covarddad com co-candidata Cuzinho comparecerem cela cadeia.
----------

-Caro Covarddad, careço confeccionar carta contando como candidatura chapa comunista conseguirá congelar combustível cozinha, comprar casa com colaboração Caixa, contribuir com companhias construtoras. Carece cidadão comentar como conseguiu comprar comida cara, como comprou carro,
como conquistou certificado colégio... Covarddad, com contribuição co-candidata Cuzinho Cagado, carecem conversar com cidadão. Contar como Castro com Che conquistaram Cuba, como Chavez construir consciência cidadania com continente chamado Chavascuela, como comandante Cuduro continuou conquistas Chavez comandando Caracas. Carece contar como Castro conta com carinho criaturas cubanas, como comunismo conseguiu contribuir com crescimento continentes...

-Claro chefinho Calamar, Covarddad concorda.

-Calado, cumpanhero Covarddad. Carece continuar calado. Conforme Covarddad conversa, casa cai. Covarddad carece credibilidade. 

-Chefinho Calamar, carece contar como Congressista com Cu Caliente cuspiu cara candidato Coiso?

-Continua calado, criatura. Carece contar como Coiso comete cornofobia, cufobia, caralhofobia, como critica criaturas com cútis colorida, como coloca casa como custo congresso.

wasil sacharuk


malleus maleficarum

malleus maleficarum

havia jurado
coisa alguma
julgado por heresia
condenado ao fim dos dias

falácias despudoradas
a única verdade
sustenta a insanidade
de subtrair prata vultosa
a garantir o óleo
da lâmpada luminosa

desaparecidos amigos
já há uma semana
Gerard, Eliphas, Joana
levados do abrigo

que o demônio
não os tenha
lançado ao fogo

a carne
as vísceras
os ossos
a corda aperta o pescoço
desenlace da sina
o repúdio
a ira
a raiva assassina

a cara escarrada
da hipocrisia
infeliz arremedo
dispara ditames
alastra a dominação
o rastro de medo
em nome da salvação

wasil sacharuk


amálgama


amálgama

versos imersos na alquimia
números, véus e encantos
grimórios e revelações
sobre o colo de sofia
letras vertidas no manto
entre cruzes e orações

pés profundos de poesia
as águas contornam recantos
de sonhos e abstrações

segredos e bruxarias
utopias de plasma e pranto
amálgama da criação

wasil sacharuk


macromaníaca



macromaníaca

oi gato
sou mulher
do tipo casada
só para quem quer
vou dizer:

quero homem sensível
carinhoso
de pau grande
para me satisfazer

meu gostoso
pode vir que aqui tem
mas o mais importante
além do pau generoso
é saber mentir bem

wasil sacharuk


Compreensão

compreensão

o barco passa
pelas águas sem bandeira
bailam marés sereias
a vida que passa
o grande mar
 levará

wasil sacharuk


karuna


karuna

derrama
vertentes das íris
o calor das tuas mãos
derrama amor
sobre as cicatrizes
derrama benção

o universo és tu
o universo é a cura
o universo é o senhor

aprende
da luz os matizes
da força no pão
aprende a dor
das coisas possíveis
e das que não são

o universo és tu
o universo é a cura
o universo é o senhor

wasil sacharuk


vapor vermelho

vapor vermelho

a vida passa
passa vapor vermelho
nos azulejos azuis e limo
a nova sina passará

a roda gira
gira vapor vermelho
na magia insana do ouro
o novo ciclo girará

dá-me tua mão
na trilha da nova era
replantaremos a terra
e colheremos nação

o tempo voa
voa vapor vermelho
da faixa branca no céu
o novo espírito voará

o perdão abraça
abraça vapor vermelho
juntos na estrada do futuro
a esperança abraçará

dá-me tua mão
na trilha da nova era
replantaremos a terra
e colheremos nação

wasil sacharuk



versos sem dentes

versos sem dentes

fico triste
se fechas a porta
o vento me corta
a fortaleza resiste

desiste
insiste
e novamente
resiste

já vive morta
a verve doente
entre versos sem dentes
insonsos 
no bloco de notas

copia
cola
deleta
recorta
anota

clichês de poesia

wasil sacharuk




desacordo ortográfico

desacordo ortográfico

quero a volta do trema
diérese em traços bifálicos
para enfiar no teu  ü




mel merengue chocolate

mel merengue chocolate

teu mel gruda
meus beiços
 tuas bolas de merengue
pingadas de chocolate
meus lábios
 beijam-te anseios
desejo pulsante
tão doce
invade

wasil sacharuk


yolanda não anda no vento

yolanda não anda no vento

yolanda
não anda
na ventania
meu amigo Milanês

ela esconde do vento
versos de covardia
desprovidos de sentimento
caprichados na caligrafia
para cumprir as mercês
fotografia e lamentos
apenas palavras vazias

se yolanda
não anda
no vento
yolanda não vai
escrever poesia

wasil sacharuk


óculos arcoíris

óculos arcoíris

vejo-te sentada à poltrona
deixada no meio da rua
sobre o tapete de alcova
sob a luz que bate na lua
nas minhas lentes arcoíris

sinto-te no prazer que emana
a visão das tuas ancas nuas
a serpentear-te aos matizes
jorram dos bicos das mamas
cores impuras
com cores cruas

teu caleidoscópico sorriso
estampa as vaidades tuas

wasil sacharuk


todas as manhãs

todas as manhãs

bem-te-vi
teus olhos
acordar meu sorriso
bem-te-vi
beijos coloridos
bem-te-vi
dia inteiro
bem-senti o teu cheiro
bem-te-vi nas promessas
bem-que-quis tuas carícias
de todas as manhãs
de amor e preguiça

wasil sacharuk


Haicatártico

Haicatártico

das dores que nos afligem
escrevi poesia
das chuvas e ventanias

wasil sacharuk





"bilete" de hoje para ser lido amanhã, dois de outubro

"bilete" de hoje para ser lido amanhã, dois de outubro:

eu gostaria de ter reconhecido o cabo daciolo há mais tempo. Eu, que estou tabulado entre os indecisos, já conheço de antemão o que posso esperar de todos os outros, ratos profissionais, a serviço da desordem e da roubalheira.

Eu havia optado pelo voto útil, mas agora, percebendo que o empate entre o bonzonaldo e o poste do ladrão é inevitável, considero optar pelo daciolo. Mal conheço esse candidato, que parece doido de dar dó, porém, conheço bem aos outros e prefiro errar tentando do que ser outro idiota útil a esse sistema podre.

vou votar no cabo. Se ele, por um milagre de deuxx, se eleger, aposto que pior do que está não vai ficar (pela primeira vez na vida acredito nisso como argumento válido).

para quem já conheceu a dilma, acho o daciolo ultracapacitado.

penso que vocês deveriam fazer o mesmo. Pensem nisso com carinho. Ao menos se pode esperar algum senso moral de um vivente que afirma se expressar em nome de deus. Daciolo está sussurrando esperança ao meu coração ateu.

hoje muitos lamentam a passagem do enéias... era o maluco da hora e virou chacota da ratazana. Ele precisou morrer para ser visto.

é verdade esse 'bilete'.

sacharuk


Metade



Metade

Tenho pra ti meio poema
escrito meio sem jeito
sobre as pernas meio abertas
meio suando entre as letras
de uma escrita meio atrevida
a espera de uma linha para se esparramar
meio vestida...ou totalmente despida

e por meio do meu meio
que tu me chegas inteiro
murmurando meias palavras
meio sem meias medidas
com intenções meio incertas
metendo a metade a me completar
em versos de poesia
meio proibida...ou totalmente perdida

Angela Mattos & Wasil Sacharuk
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para saber-te

para saber-te

espero ler-te
numa autobriografia
percorrer tuas horas
deitar sobre as folhas
da tua caligrafia

espero ver-te
nua e perdida
no labirinto obscuro
da minha poesia
onde faces sombrias
são jogadas ao mundo

espero entender-te
tal olhos intrusos
pousam fotografias
nas porções coloridas
nos poemas silentes
nas imagens da vida

wasil sacharuk


Não há limites no amor



Não há limites no amor

Diga que não há limites no amor
até quando ele vive longa espera
supera os ranços da adversidade
impera sem distância e sem idade

amor rasga a carne feito fera
amor clichê premiado feito flor
amor reflexivo feito o amor
amor giro incontido feito Terra

Diga que não há limites no amor
quando ele desconhece a verdade
é sentimento livre que encerra
o intento genuíno ou impostor

Amor pinta a libido feito cor
Amor corta o peito feito serra
Amor pedra tão dura feito jade
Amor rebrota em viço feito verde

Diga que não há limites no amor
se ele tanto quer felicidade
o amor vê fagulhas nas quimeras
amor que vive paz e vive guerra

wasil sacharuk
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Das alturas



Das alturas

enfrento as forças que ameaçam
desvio de ondas que não banham
das razões
a que eu desconheço
morro nas tramas que me apanham

são tantos ares
eu nem respiro
em tantos lares
eu já não entro
invado espaços que nem habito
moro em zonas que não frequento

viajo alturas que não alcanço
trago loucura para o remanso
sou prisioneiro da liberdade

de asas seguras
eu não canso
a vida é dura
eis o encanto
não é utopia a felicidade

wasil sacharuk
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onde vive o amor



onde vive o amor

espero algo de ti
mas nunca sei 
dizer o que é

sei que espero algo de ti
sequer imagino 
que nome isso tem

espero algo de alguém
minha alma 
percorre desterros

sempre espero algo de alguém
sempre espero 
alguma coisa 

procuro nos jardins
na casa de verão
entre teus cabelos
entre os vãos
bem dentro
onde vive o amor

eu sei que vejo uma cor
não sei dizer
que cor é

minha mente mente sempre 
sempre visita um lugar
e não sei ao certo
onde é

procuro nos jardins
na casa de verão
entre teus cabelos
entre os vãos
bem dentro
onde vive o amor

bem dentro
onde vive o amor

wasil sacharuk

Boneco de ventriloquia

Boneco de ventriloquia

Fernandinho era um menino de madeira. Boneco bonzinho, estudioso, que sonhava ser presidente do Reino dos Chongamongas.

O destino implacável pregou-lhe terrível peça: Sua conquista dependia de subjugar-se a um maldito ventríloquo manipulador.

Sua ruína: A cabeça de madeira quase não suportou a mão suja que a manipulava. Fernandinho odiava emprestar sua boca aos movimentos obscuros daquela voz fascinora.

E aquele ventríloquo, rato desprezível, ofertou o lindo sonho ao menino boneco. E todas as possibilidades se fizeram reais. 

Fernandinho agora já não era bonzinho. Havia um mundo para conquistar.

wasil sacharuk


astronave

astronave

atenção tripulantes da nave Ursal
na órbita da terra Carnaval
estejam prontros para o pouso
e não esqueçam da nossa missão

enfrentar militantes do Coiso
detonar aos fiéis ao ladrão
caçar tamanduás sem bandeira
e quem cobra alugel em ocupação

enviar todos eles numa astronave
com algemas e tornozoleira
granada no cu e alarme

nem coroné
nem a besta
nem o doutor
nem o cristão

nem invasor
nem parasita
nenhum machista
sequer elenão

nenhum tucano
ou bolivariano
ou fantoche bobo 
do patrão

enviar todos eles numa astronave
com algemas e tornozoleira
granada no cu e alarme

wasil sacharuk


microcosmo

microcosmo

--Sonia, tu nem sabes quem chegou na favela.

-Quem? Conta logo! O Emicida?

--Não, Sonia, aquele que vai ser presidente, o Andrade. Vamos lá receber ele. Ele é um coroa bem gatinho. Vamos logo. Vai estar todo mundo lá.

-Mas Livinha, ele não é aquele fantoche do lula?

--Acho que é. Eu vou votar nele. 

-Livinha! Como um presidiário poderá mandar no Brasil?

--Que presidiário? O Andrade é detento?

-O lula, mulher!

--Lula é presidiário? Nem sabia. Ué! Mas, não é um presidiário que manda aqui no morro?

wasil sacharuk


meada

meada

estendo o fio de poesia
no percurso até Vênus
para jamais me perder

logo oferto tangerinas
aos pés da tua santinha
já sei orar sem perceber

conta-me
conta-me
se estás pensando algo

ama-me
ama-me
eu quero sempre te sentir

fala-me
fala-me
quando quiseres algo

chama-me
chama-me
eu posso sempre te ouvir

meus versos em rodamoinho
turbilhonam desconexos
para jamais te esquecer

estendo a linha da meada
até teus pés de bailarina
e dançarei até aprender

conta-me
conta-me
se estás pensando algo

ama-me
ama-me
eu quero sempre te sentir

fala-me
fala-me
quando quiseres algo

chama-me
chama-me
eu posso sempre te ouvir

wasil sacharuk


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