Sabes, Amora, eu deveria pensar em não chover mais em ti, mas isso não importa se usas guardachuva. Amora, não tenho capa sequer uso luvas, saíram de moda. E se te incomoda tu te apartas dos pingos da chuva, te resguardas no abrigo se minha chuva te molha. Mas vai, vai Amora, leva a cadeira e teu maldito guardachuva, senta lá fora sem roupas. Mas naquela hora, amada Amora, eu bem sei que tu ficas louca se eu mergulho nos teus olhos em cântaros. Amora, vejo sóis se chovo em tua boca.

Pedaços meus



Pedaços meus

Sortilégio afinal
estavam no tempo os momentos
desunindo os meus fragmentos
perdi a frieza formal

o alicate o alicate
escansões com pedaços meus
digressões ocultas nos véus
afasta os dedos e bate
e bate

tão musical
escandir dividindo meus eus
devastando do chão aos meus céus
sortilégio é caminho natural

e nas letras do livre combate
o que surge é livre
informal
tão musical não musical
a catar e catarse o resgate

escandir distintos rebentos
o salto no piso ainda bate
e bate
pregando sem dó minha arte
em vez dos distanciamentos

aceita então meus lamentos
se esqueço da métrica formal
abraço um anjo infernal
tão perto dos meus sentimentos

wasil sacharuk


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