Sabes, Amora, eu deveria pensar em não chover mais em ti, mas isso não importa se usas guardachuva. Amora, não tenho capa sequer uso luvas, saíram de moda. E se te incomoda tu te apartas dos pingos da chuva, te resguardas no abrigo se minha chuva te molha. Mas vai, vai Amora, leva a cadeira e teu maldito guardachuva, senta lá fora sem roupas. Mas naquela hora, amada Amora, eu bem sei que tu ficas louca se eu mergulho nos teus olhos em cântaros. Amora, vejo sóis se chovo em tua boca.

Não contes as horas do dia



Não contes as horas do dia

não contes as horas passadas
pelas lembranças viajantes
pelo passado de contemplação
por um futuro incerto à razão

não contes as horas do dia
mas cuida que valham a pena
aproveita com toda alegria
valoriza a beleza da cena

os ressentimentos remoídos
ossos das glórias esquecidas
histórias mortas e enterradas
velhos paradigmas corrompidos

não contes as horas do dia
mas cuida que valham a pena
e tenta viver a poesia
que escreve uma vida intensa

não contes as horas do dia
mas cuida que valham a pena
elas passam na ventania
enquanto a morte acena

wasil sacharuk
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