Não estou para falar de amor, se ele ainda não dói, nem rói e nem pede flor. Não há flores na minha poesia, pois as arrancadas são mortas, são decoração de sepultura e meu poema é heresia. Conheço esse tal de amor, não encontrei deus algum e amor e deus até podem ser compatíveis mas não dependem um do outro. O único ponto em comum: eles não são invencíveis. Não falarei de coisas que desconheço, pois o meu apreço é pelo amor que sinto e não devo a uma criatura que o senso comum insinua e minha cabeça não atura. Minha escrita é a riqueza que colho do meu presente, mesmo que seja inventado, pois poeta mente, mas não se faz ausente e eu não vivo de passado nem me dedico à tristeza. Só quando fico parado. Grito contra o que abomino e não suporto determinismo. Minha ferramenta é o poema e meu alvo é o sistema. Sou tipo existencialista, meio insano meio analista, falso moralista, talvez sartreano. Tenho a marca da história, todo gaúcho é artista e sou pampeano com muita honra e glória. Sou amigo da filosofia e esta não é feita de fadas nem gnomos e crenças, nem de almas penadas ou universais desavenças. Eu vim aqui escrever poesia e isso para mim não é só brincadeira, pois no fim o que consome energia é o abre e fecha da porta da geladeira

Futuro da nação



Futuro do nação

“Tá vendo aquele lá, o carequinha? É filho do Sidnei. Entrou numas de ser do tipo "certinho" mas só levou na cabeça. Virou monge. Uma vergonha para a pobre família. É nisso que dá educar o guri com frouxidão. Gente assim não vai para frente. Já tem idiotas demais nesse país. Educação, Sacha. Educação é o xis da questão. E da falta dela, felizmente, os meus não padecem.
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O Mateusinho, meu filho de oito anos, já disse para mim e para a mãe que quer ser criminoso quando crescer. Já me enche de orgulho desde pequenino. Mas não quero que ele seja criminoso que nem eu, que tive pouca oportunidade na vida. Quero que ele se desenvolva para algo maior, mais gratificante e que ele possa ser um bandido muito orgulhoso do que faz. Imagina, Sacha, se ele chega a deputado federal? Ou senador? Presidente já nem quero, pois o garoto iria ficar muito visado pelos invejosos. Prefiro que ele se conserve num nível mais intermediário no qual ele possa exercer a arte da falcatrua por muito tempo. Ele ainda vai me dar muita alegria.

É de guris como o Mateus que o futuro do Brasil depende. De bandidinho comum esse país já está cheio. Eu educo meus filhos para que eles tenham sucesso! Além disso, quem sabe bem o que quer, aprende como conquistar. Senão, vive correndo e suando para quitar impostos, igual esses fracassados que trabalham. 

Mas monge, igual ao filho do Sidnei, ah, isso o meu Mateusinho jamais vai ser. Que seja pastor, então!”

wasil sacharuk
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