Maltrapilho

Maltrapilho

Transmutei sina em trocadilho
com certo poder de abstração
estive poeta estive andarilho
tomei rumos dispersos sem reunião

escrevi um poema maltrapilho
equivoquei o juízo da razão
já não sei se sou pai
e se ele é meu filho
não sei se sou cria
ou ele é criação

de algum sentido esfarrapado
risquei alguns versos desmetrificados
nasceram diversos
nenhuma emoção

dos meus argumentos equivocados
juntei as falácias
fiquei enrolado
apenas premissas
sem conclusão

wasil sacharuk
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A velha detrás duma moita

A velha detrás duma moita

Havia uma velha
detrás duma moita
espichava uma perna
encolhia a outra

a velha escolhia pato
no quintal da vizinha
passava pato
passava pato
pato e mais pato

e o tal pato
não aparecia
contou dona Diquinha

e a velha dizia
calma
ainda está passando pato
ainda está passando pato
pato e mais pato

e o tal pato
ela nunca escolhia
então essa história
nunca termina

perguntasse à Diquinha
ainda está passando pato?
ela logo respondia

havia uma velha
detrás duma moita
espichava uma perna
encolhia a outra

Mell Shirley Soares & Wasil Sacharuk

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Erofagia


Erofagia

provo teu amor à língua
em travessa de louça
na hora do almoço
para senti-lo à boca
delirar com seu gosto

logo irei mastigá-lo
faze-lo espesso
na minha saliva
manjar de átomos
viscosas esferas
assalto às papilas

e engoli-lo
até inundar-me as vísceras
e empapar-me o baço
depois comerei tua carne
a começar pelo braço

wasil sacharuk
ly12

fuck

fuck

escuta
não devo desculpas
se te mandei às estrelas
se te mostrei o inferno
nos meus braços
viajaste no espaço
comemos os astros
astronautas famintos
que somos

se o sol
vai embora
eu escuto
o chamado
e tua boca
tuas mãos
meu desenho
no céu

mas tu dizes
vai vai vai
então eu digo
vem vem vem

depois a gente
fuck fuck fuck
depois a gente
fuck fuck fuck

sabe
não te devo desculpas
se preenchi os buracos
se constelei como louco
no trajeto das ursas
nos meus braços
viajaste no espaço
percorremos o rastro
dos cometas extintos
na nossa cama

sonhamos sonhamos sonhamos
na nossa cama

se o sol
vai embora
eu escuto
o chamado
e tua boca
tuas mãos
meu desenho
no céu

mas tu dizes
vai vai vai
então eu digo
vem vem vem

entramos e saímos
botamos e tiramos
paramos e mexemos
sonhamos sonhamos sonhamos

se o sol
vai embora
eu escuto
o chamado
e tua boca
tuas mãos
meu desenho
no céu

depois a gente
fuck fuck fuck
depois a gente
fuck fuck fuck

wasil sacharuk

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a lealdade e a servidão

a lealdade e a servidão

tentaram as mãos
tatear o futuro
comovidos dedos
bolinaram nuvens
leves são os pés
saltaram muros
lealdade é sal
contra a vertigem

tentou a cabeça
fazer a viagem
ao lado escuro
da rocha abissal
falaram os diabos
e os santos de fé
a servidão é mal
contra a clareza

wasil sacharuk

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Avesso

Avesso

meu avesso
dos tons desconexos
sem gênero
sem cor
não tem sexo

o melhor lugar

avesso de estar
  avesso de ser
permancer
genuíno que é
avesso de mim
é o avesso de ti
de tão nosso

o avesso
é o que de mim
eu mais gosto

wasil sacharuk

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Amor cru

Amor cru

meu amor cru
assenta galopa
comunga com fé
face à cadeira

macula
tremeluz tal estrela
dança na chuva
germina pólem
sopro de vento

meu amor cru
olhar de centelha
ama sem roupas
amor que é
tem contém
sustém
no espectro
das suas belezas

amor criatura
cor borboleta
clichê passarinho
maior que o planeta
e cabe em meu ninho

macula
tremeluz tal estrela
dança na chuva
corpo nu
do espaço e do tempo

wasil sacharuk

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graffiti

graffiti

estalidos singelos
beijos pequeninos
selam a superfície

extasiado artífice
percorro acidentes
tal olhar de graffiti
denota tuas curvas
em glorioso desenho

refaço caminhos
das tuas belezas
tuas ancas
teus seios
acendo tua pele
com fagulhas de mim

nossas línguas
exalam polissemia
compartilhamos os dedos
sucumbidos segredos
desvendados os versos
gotejam poesia

dissolvidos átomos
amor e saliva
ao pulsar soberano
explodida em minhas vias
tu deságuas nas tintas

wasil sacharuk

grafite

O novo sopro do vento

O novo sopro do vento

percorri noites insones
quando todos dormiam
andei ruas coloridas
luzes que me cegavam

contei noites estelares
tal cavaleiro noturno
que se desfaz em orvalho
do amor que tanto sente
do amor que tanto sente

meu corpo é frio
meu peito é mais
mas abre para abraçar
o novo sopro do vento

medi forças com o tempo
enquanto todos dormiam
vi imagens distorcidas
luzes que me enganaram

escrevi poemas tolos
tal mensageiro noturno
que se desfaz oceano
de tanto amor que sente
de tanto amor que sente

meu corpo é frio
meu peito é mais
mas abre para abraçar
o novo sopro do vento

mas abre para abraçar
o novo sopro do vento

wasil sacharuk

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A tortura é o grito

A tortura é o grito

a tortura
é o grito
um poema aflito
um engasgo
o murmúrio
canto desafinado

respinga chuva
em mim
pingam gotas de ti
pinga orvalho
manda essa bosta de gente
dar de costa e de frente
ao caralho

a tortura
é o grito
o cu circunscrito
no rabo
o perjúrio
do pau atolado

respinga chuva
em mim
pingam gotas de ti
pinga orvalho
manda essa bosta de gente
dar de costa e de frente
ao caralho

a tortura
é o grito
sócio-político
o estrago
no furingo
do povo otário

respinga chuva
em mim
pingam gotas de ti
pinga orvalho

wasil sacharuk




temer-juca

novamente chorei



novamente chorei

certos dias eu soube
nas noites duvidei
as vezes eu tive
outras vezes dispensei
dia desses fui forte
noite dessas errado
novamente chorei

na manhã tive sorte
mas na noite azarei
já estive parado
entretanto andei
nalguns dias vivi
noutras noites morri
novamente chorei

pelo meu espaço
pelo meu caminho
pelo teu carinho
pelo teu abraço

certos dias eu soube
nas noites duvidei
tantas vezes vivi
tanto noutras morri
novamente chorei

pelo meu espaço
pelo meu caminho
pelo teu carinho
pelo teu abraço

novamente chorei

wasil sacharuk

Adaga

Adaga

risquei teu nome
no espelho do banheiro
desmanchei meu baton

vingadora insone
saí mesmo do tom

a raiva embriaga
eu perco o norte
a elegância e o porte
é a praga

no sentido da fome
comeria-te inteiro
e seria tão bom
  o desejo é ligeiro
insano e rasga
sem compaixão

arde forte
o sol escorpião
diante do corte
da adaga

wasil sacharuk

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Escorpião

Escorpião

sou espectro na escuridão
não me ofertes a luz
não me ameaces com a cruz
meu sol dorme em escorpião
conheço os auspícios da morte

sou profundidade do corte
renego o dogma cristão
não barganho por absolvição
vivo ao desígnio da sorte
sem saber para onde conduz

sou plenamente capaz
nas demandas defino o norte
minha estrela brilha em paz
sou digno herdeiro do dote
de amassar o meu próprio pão

wasil sacharuk

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