Não estou para falar de amor, se ele ainda não dói, nem rói e nem pede flor. Não há flores na minha poesia, pois as arrancadas são mortas, são decoração de sepultura e meu poema é heresia. Conheço esse tal de amor, não encontrei deus algum e amor e deus até podem ser compatíveis mas não dependem um do outro. O único ponto em comum: eles não são invencíveis. Não falarei de coisas que desconheço, pois o meu apreço é pelo amor que sinto e não devo a uma criatura que o senso comum insinua e minha cabeça não atura. Minha escrita é a riqueza que colho do meu presente, mesmo que seja inventado, pois poeta mente, mas não se faz ausente e eu não vivo de passado nem me dedico à tristeza. Só quando fico parado. Grito contra o que abomino e não suporto determinismo. Minha ferramenta é o poema e meu alvo é o sistema. Sou tipo existencialista, meio insano meio analista, falso moralista, talvez sartreano. Tenho a marca da história, todo gaúcho é artista e sou pampeano com muita honra e glória. Sou amigo da filosofia e esta não é feita de fadas nem gnomos e crenças, nem de almas penadas ou universais desavenças. Eu vim aqui escrever poesia e isso para mim não é só brincadeira, pois no fim o que consome energia é o abre e fecha da porta da geladeira

Vamos para casa

Vamos para casa

ooohhh ooohhh
ooohhh ooohhh

procura o destino de cada coisa
procura o sentido de cada palavra
procura aquilo que faz dizer não
onde está a verdade de cada não?

logo te levo para minha casa
logo alí onde moram mistérios
sentaremos ao colo da noite
antes mesmo que o sol acorde

la la la la la
vamos para casa
viver da beleza
viver as incertezas
que temos para nós
e não vais viver só

venhas comigo
venhas comigo
podes ver quando a lua declina?
podes sentir o pulso da vida?

venhas comigo
venhas comigo
correr pelos campos dos lírios infindos
lá onde apenas nós dois existimos

se tu me amas
o universo conspira
se tu me amas
nosso santo ajuda
venhas fazer
tudo aquilo que queres
venhas fazer
tudo aquilo que quero

ooohhh ooohhh
ooohhh ooohhh

procura onde mora cada resposta
procura sentido onde nada importa
procura saber sobre tudo o que fere
qual o valor do não mais nos serve?

logo te levo para meu mundo
logo alí onde acaba o inverno
e sentaremos ao colo da noite
antes mesmo que o sol acorde 

la la la la la
vamos para casa
viver da beleza
viver as incertezas
que temos para nós
e não vais viver só

venhas comigo
venhas comigo
podes ver quando a lua declina?
podes sentir o pulso da vida?

venhas comigo
venhas comigo
correr pelos campos dos lírios infindos
lá onde apenas nós dois existimos

se tu me amas
o universo conspira
se tu me amas
nosso santo ajuda
venhas fazer
tudo aquilo que queres
venhas fazer
tudo aquilo que quero

la la la la la
vamos para casa
la la la la la
vamos para casa

ooohhh ooohhh
ooohhh ooohhh

wasil sacharuk

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