Tudo e mais outro tanto

Tudo e mais outro tanto

A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como, a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego.

wasil sacharuk

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Vamos para casa

Vamos para casa

ooohhh ooohhh
ooohhh ooohhh

procura o destino de cada coisa
procura o sentido de cada palavra
procura aquilo que faz dizer não
onde está a verdade de cada não?

logo te levo para minha casa
logo alí onde moram mistérios
sentaremos ao colo da noite
antes mesmo que o sol acorde

la la la la la
vamos para casa
viver da beleza
viver as incertezas
que temos para nós
e não vais viver só

venhas comigo
venhas comigo
podes ver quando a lua declina?
podes sentir o pulso da vida?

venhas comigo
venhas comigo
correr pelos campos dos lírios infindos
lá onde apenas nós dois existimos

se tu me amas
o universo conspira
se tu me amas
nosso santo ajuda
venhas fazer
tudo aquilo que queres
venhas fazer
tudo aquilo que quero

ooohhh ooohhh
ooohhh ooohhh

procura onde mora cada resposta
procura sentido onde nada importa
procura saber sobre tudo o que fere
qual o valor do não mais nos serve?

logo te levo para meu mundo
logo alí onde acaba o inverno
e sentaremos ao colo da noite
antes mesmo que o sol acorde 

la la la la la
vamos para casa
viver da beleza
viver as incertezas
que temos para nós
e não vais viver só

venhas comigo
venhas comigo
podes ver quando a lua declina?
podes sentir o pulso da vida?

venhas comigo
venhas comigo
correr pelos campos dos lírios infindos
lá onde apenas nós dois existimos

se tu me amas
o universo conspira
se tu me amas
nosso santo ajuda
venhas fazer
tudo aquilo que queres
venhas fazer
tudo aquilo que quero

la la la la la
vamos para casa
la la la la la
vamos para casa

ooohhh ooohhh
ooohhh ooohhh

wasil sacharuk

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Uirapuru

Uirapuru

Uirapuru
canta para mim:

quem és tu?

Já cometi grave falta
ao pensar que eras flauta
uirapuru tu és musical
uirapuru tu és cântico
és fenômeno  igual
no Pacífico ou Atlântico

teu canto  é encanto
tua casa é recanto
tua sorte
é morrer empalhado
teu azar
é viver ameaçado

Ah, maldita extinção
o único pássaro livre
é o tal de avião

wasil sacharuk

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Fé demais



Fé demais

Teimoso era o burro
do Teodoro
batia cabeça dura
nas tábuas da baia
logo após desmaiava
durinho da silva

Teodoro
tentava bocaboca
simpatia
recitava poesia
reza forte
salvava o burro da morte

Certo dia
montou o quadrúpede
e orou
pediu para deus
por um tanto de sorte

recém ressuscitado
o animal vacilão
bateu de novo a cabeça
lançou Teodoro à distância
que espatifou-se ao chão

Teodoro
além de burro é simplório
morto na contramão
atrapalhou o trânsito

O burro
filho de égua e jumento
não mais do que burro
só desmaiou
mas ainda viveu

moral da estória:
mais burro que burro
é quem esperou pela glória
confiou na vitória
e só se fodeu

wasil sacharuk
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Audiverimus - "Dizimista Fiel" (Sacharuk)

Choro comprado

Choro comprado

quando extinguirem
meus átomos
ficarão meus enfados
e alguma sujeira

serei sempre lembrado
pelo choro comprado
das fiéis carpideiras

wasil sacharuk

carpid

De botânica não entendo

De botânica não entendo

na velha orquídea
prevalecem cem anos
insistem primaveras
brotam dezessete
ou então vinte três
lilases amores

no meu quintal
germinam sementes
flores mágicas
contra existência enfadonha

na velha orquídea
poesia do amor
sabedoria dos tempos

pouco sei das orquídeas
de botânica não entendo
mas também acho vida
quando mudam os ventos

wasil sacharuk

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O vestido





O vestido

teu vestido
costurado à mão
traz sonhos e notas
encantos coloridos
estamparia de passarinhos

carrego na bolsa
minhas agulhas e linhas
para suprir alinhavos
pregar em tuas costas
par de asas
para voar sobre as águas

desliza tua mão
sobre esse tecido
sente a textura fria
sincera e serena
costura fina
das cartas da alma
e versos de poesia
que tanto combinam
com a maciez da tua voz

escolhe um batom
que ostente a palavra
alimente o fogo
e ilumine o decote

a agulha faz dor
quando toca o íntimo
e o vestido
insinua vestígios
se não tem drapeados

wasil sacharuk

loop

loop

Clara Ana
paleta mexicana
frutas vermelhas
ovo caipira

linda laranja
casca espiral
língua de fogo
e girassol

wasil sacharuk


www.wasilsacharuk.com

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Quando os feixes perpassam vitrais

Quando os feixes perpassam vitrais

Enquanto vislumbras belos vitrais perpassados por feixes de luz, as sombras ocultam vestígios e sacerdotes ostentam as joias de baal.

Nas aberturas da catedral, o lume do sol despe extraordinária arte, o ópio e o mistério, tudo aquilo o que te for semelhante.

Logo, sou mesmo eu, assim como és tu, artífices das coisas belas e, sem elas, permanecemos ruína.

Eis que não há verdade sem a ruína.

Ruína é a casa daqueles que lutam. É o palco daqueles que vivem. É ela o esteio de qualquer fundamento.

wasil sacharuk

Fêmea indelicada



Fêmea indelicada

passeio-te pela pele
as digitais
percorrer-te outra vez

circunferencio-te
branca tez
fina areia

morna brisa 
sopra do mar reentrâncias
hoje sou lua cheia
bebo-te os córregos
deslizo-te as tranças
penetro-te os poros
clandestinos da pele

assalto-te os potes
teu tesouro
tua oferenda

despejo-te néctar
sobre a língua
indelicada fêmea
faminta na senda

morna brisa 
sopra do mar reentrâncias
hoje sou rio acima
escrevo-te as rimas
descrevo-te as ânsias
agarro-te as crinas
a sujeitar-te no curso

wasil sacharuk


Estranha florista



Estranha florista

a estranha florista
na sua bicicleta
atravessa a floresta
há chão pela frente
mas o universo conspira

da vertente
jorra água cristalina
ela pode beber
também pode banhar
a natureza é justa
e o tempo infalível
organiza tudo
no devido lugar

ela aprende
o que a vida ensina
quando escuta as pedras
e convence as flores
que as coisas pequeninas
podem ser muito belas

e entende
a língua da rosa calada
quando chora as feridas
perde as pétalas e a vida
mas não quer dizer nada

então sente
seu amor correr líquido
regar de luz o espírito
para acender madrugadas

wasil sacharuk
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Montaria

Montaria

da minha cadeira
discorro as horas
quando então saltas
sobre minhas pernas
linda esperta
e solta

tua mão mostra a rota
te insinuas na montaria
galgas potra sem cilha
das ancas escarranchadas
a percorrer cavalgada
livre e sem piedade
pelo meu corpo afora

sem demora
meu olhar te devora
explora tuas vertentes
meus dedos enroscam cabelos
para prender-te
meus versos declamam mamilos
entre os dentes

logo mergulhas urgente
para colher em tua língua
meu prêmio aos teus desvelos

wasil sacharuk

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Faremos amor com Tchaikovsky

Faremos amor com Tchaikovsky

faremos amor
com Tchaikovsky
sob luz de candeia

dançarei braços
ballet no espaço
ao entorno de ti
lua cheia

ao refluxo das águas
que percorrem marés
minguarei-te
com lambidas de vento

nas mãos terei asas
minha boca
pousará nos contornos
tuas dunas de areia

wasil sacharuk

mackbyNG4
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