Sabes, Amora, eu deveria pensar em não chover mais em ti, mas isso não importa se usas guardachuva. Amora, não tenho capa sequer uso luvas, saíram de moda. E se te incomoda tu te apartas dos pingos da chuva, te resguardas no abrigo se minha chuva te molha. Mas vai, vai Amora, leva a cadeira e teu maldito guardachuva, senta lá fora sem roupas. Mas naquela hora, amada Amora, eu bem sei que tu ficas louca se eu mergulho nos teus olhos em cântaros. Amora, vejo sóis se chovo em tua boca.

Pedevalsa e o Último Bolero

Pedevalsa e o Último Bolero

Pedevalsa, o Milton, foi dançarino. Dos bons. Bem alcunhado pelo viés do talento. Moço bonito de bigode bem feito e um terno bege retro, quando pousava as mãos na parceira certa, aquela que o destino gentilmente lhe presenteara, não carecia mais do que três ou quatro parquetes para a eficácia da performance. Pedevalsa era galã canastrão e beberrão assíduo, mas dançava como nenhum outro. E, ainda moço,CYMERA_20160627_210806 venceu mais de dez concursos de dança. Tudo dependia da escolha acertada da partner.

Com Cristina venceu o último concurso, aposentou a noite, os sapatos brancos e casou. Trabalhou de ajudante do quitandeiro Helmut para poder garantir a prole. Não foi fácil. Teve de dançar, e muito.

Hoje Pedevalsa saiu da consulta geriátrica e decidiu visitar o casarão abandonado do antigo "O Sobrado", a casa noturna onde dançou com as mais belas donzelas da cidade. Restavam apenas escombros circundando a pista onde deslizou seus mágicos pés por vinte e um anos. Suspirou fundo, circundou a fina cintura da esperança com seu fino braço esquerdo, e com o direito, segurou a mão da sina para o último bolero.

wasil sacharuk

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