Sabes, Amora, eu deveria pensar em não chover mais em ti, mas isso não importa se usas guardachuva. Amora, não tenho capa sequer uso luvas, saíram de moda. E se te incomoda tu te apartas dos pingos da chuva, te resguardas no abrigo se minha chuva te molha. Mas vai, vai Amora, leva a cadeira e teu maldito guardachuva, senta lá fora sem roupas. Mas naquela hora, amada Amora, eu bem sei que tu ficas louca se eu mergulho nos teus olhos em cântaros. Amora, vejo sóis se chovo em tua boca.

Esparramo reticências

Esparramo reticências

Vejo tudo de soslaio
oculto entre as verbenas
seus olhares estranhos
ora risonhos
ora tristonhos

por isso que eu traio
as parcas certezas

conviver é o ensaio
de cortesias e delicadezas
entre hipocrisia tamanha
ora artimanha
ora inocência

minhas ignorâncias
eu nem percebo

vejo tudo tão placebo
efêmeras cantilenas
paixões tão amenas
morrendo no vício
de múltipla falência

esparramo reticências
do que eu tenha
a ver com isso

cansei dos artifícios
photoshopadas belezas
sobre tecidos azedos
maquilando segredos
que não me dizem respeito

eu vivo do meu jeito
e ocupo minha vaga
a deslizar os dedos
sobre as chagas
dos meus próprios medos

wasil sacharuk

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