Sabes, Amora, eu deveria pensar em não chover mais em ti, mas isso não importa se usas guardachuva. Amora, não tenho capa sequer uso luvas, saíram de moda. E se te incomoda tu te apartas dos pingos da chuva, te resguardas no abrigo se minha chuva te molha. Mas vai, vai Amora, leva a cadeira e teu maldito guardachuva, senta lá fora sem roupas. Mas naquela hora, amada Amora, eu bem sei que tu ficas louca se eu mergulho nos teus olhos em cântaros. Amora, vejo sóis se chovo em tua boca.

Abaixo de Zero

Abaixo de Zero

Riscaria desenhos
acaso houvesse neve
apenas há cristais agudos
de dura perplexidade

um grande parque morto
de brinquedos absortos
tanto mudo
e surdo

o desvelo
é bater a bengala
num bloco de gelo
para ver o quanto aguenta
esse frio violento

pensaria que é somente
mais um inverno
de água e vento

e aquela pressão
que aumenta e diminui
ora dentro
ora fora
e parece que surge
de todos os lados

seria simulacro de coração
que soa cristalizado
se o calor vai embora

wasil sacharuk

´'... e na cabana de madeira, os estalidos do gelo ecoam na penumbra azulada. Lá fora, o mar branco corta na sua agudeza de ser apenas branco, escrachado e afiado, não cortante, e o céu exibe o tom quase amarelo, cinzento brilho de algo mais. Na frente da casa, as marcas do caminho de ontem sumiram. Tudo uniforme, liso. Gotas caem do telhado, pingos grossos, escorrem e saltam ao infinito, antecipando o novo, que acontece... surge  o raio amarelo, fininho,  que incide sobre à arvore mais próxima, os estalidos aumentam e a luz se faz... cá dentro, agora, a lenha seca crepita mais forte, refletindo o sol em cada faísca.’  (Dhenova)


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