Sabes, Amora, eu deveria pensar em não chover mais em ti, mas isso não importa se usas guardachuva. Amora, não tenho capa sequer uso luvas, saíram de moda. E se te incomoda tu te apartas dos pingos da chuva, te resguardas no abrigo se minha chuva te molha. Mas vai, vai Amora, leva a cadeira e teu maldito guardachuva, senta lá fora sem roupas. Mas naquela hora, amada Amora, eu bem sei que tu ficas louca se eu mergulho nos teus olhos em cântaros. Amora, vejo sóis se chovo em tua boca.

A umidade da noite



A umidade da noite

Brinquei com o nariz da noite na pontinha do meu indicador. Ela, surpresa, mirou gentilmente bem dentro dos meus olhos e sorriu pelo canto da boca. Há dias que a noite acorda no jardim, contando estrelas inocentes. Então eu sorri para ela também.

Corremos, dançamos e, depois, mergulhamos desnudos numa gota de orvalho. Exploramos profundamente. Apneia de sete segundos.

E a noite, toda molhada, se abriu toda, estrelada e lânguida. Logo, percorri com meus dedos, bem dentro, dos cachos dos seus cabelos, que enroscados num canto da lua, despencavam incertos pelo breu.

Ela, a noite, generosa, beijou meus lábios de fogo e eu, fascinado, a penetrei pelos olhos.

wasil sacharuk





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