Sabes, Amora, eu deveria pensar em não chover mais em ti, mas isso não importa se usas guardachuva. Amora, não tenho capa sequer uso luvas, saíram de moda. E se te incomoda tu te apartas dos pingos da chuva, te resguardas no abrigo se minha chuva te molha. Mas vai, vai Amora, leva a cadeira e teu maldito guardachuva, senta lá fora sem roupas. Mas naquela hora, amada Amora, eu bem sei que tu ficas louca se eu mergulho nos teus olhos em cântaros. Amora, vejo sóis se chovo em tua boca.

A menina dos olhos de caleidoscópio

Arte: Nanda Grass

A menina dos olhos de caleidoscópio

Depois de comer marmelada
que ornamentava o céu
sua sorte 
foi agora lançada
em diamantes de corte
por alamedas
de fluidez colorida

Viu vagalumes de vida
e ouviu aeromoças mudas
anunciando o menu
de jujubas pontiagudas
com salada mista

E a vista
detrás do rayban
escondeu um ou dois sóis
tal dois caracóis
estampados nos olhos
caleidoscópicos

wasil sacharuk
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