Sabes, Amora, eu deveria pensar em não chover mais em ti, mas isso não importa se usas guardachuva. Amora, não tenho capa sequer uso luvas, saíram de moda. E se te incomoda tu te apartas dos pingos da chuva, te resguardas no abrigo se minha chuva te molha. Mas vai, vai Amora, leva a cadeira e teu maldito guardachuva, senta lá fora sem roupas. Mas naquela hora, amada Amora, eu bem sei que tu ficas louca se eu mergulho nos teus olhos em cântaros. Amora, vejo sóis se chovo em tua boca.

Insetos no caderno



Insetos no caderno

há insetos no caderno
páginas envergadas
licor sépia derramado
colore palavras soltas
atmosfera de esperança
perdida

folhas poisadas pelas vespas
dilaceradas pelas cortadeiras
rabiscos afogados
na vertente das mágoas
entre alegrias envelhecidas

insetos no caderno
circundam manchas
sobrevoam os resíduos
dos insanos registros
poesia ébria embebida
na doçura esparramada

memórias cagadas pelas moscas
conformadas rimas açucaradas
em contornos de caneta
outono das letras
primavera das baratas

insetos roem o viço
dos poemas escritos
no verão

wasil sacharuk
Postar um comentário
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Esse site é apoiado por INSPIRATURAS