Sabes, Amora, eu deveria pensar em não chover mais em ti, mas isso não importa se usas guardachuva. Amora, não tenho capa sequer uso luvas, saíram de moda. E se te incomoda tu te apartas dos pingos da chuva, te resguardas no abrigo se minha chuva te molha. Mas vai, vai Amora, leva a cadeira e teu maldito guardachuva, senta lá fora sem roupas. Mas naquela hora, amada Amora, eu bem sei que tu ficas louca se eu mergulho nos teus olhos em cântaros. Amora, vejo sóis se chovo em tua boca.

Desenhando espirais

Desenhando espirais

tu que me viste perdido
no espaço subtraído
inventando poesia
de gabinete

tu que me viste ausente
nos meus versos sem dentes
em fatal desamor à sofia
aos auspícios da negação

tu que me viste à deriva
desprovido da memória
sem vacina
sem repelente
cena suspensa na descrição

logo verás novamente
meus ventos soprarem ideias
traduzidas em versos universais
entre algumas histórias
irreais
ou comoventes

e perceberás a trajetória
que perfaz a rota ascendente
manobrada em círculos
desenhando espirais.

wasil sacharuk

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Image credits: Matthias Haker

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