Sabes, Amora, eu deveria pensar em não chover mais em ti, mas isso não importa se usas guardachuva. Amora, não tenho capa sequer uso luvas, saíram de moda. E se te incomoda tu te apartas dos pingos da chuva, te resguardas no abrigo se minha chuva te molha. Mas vai, vai Amora, leva a cadeira e teu maldito guardachuva, senta lá fora sem roupas. Mas naquela hora, amada Amora, eu bem sei que tu ficas louca se eu mergulho nos teus olhos em cântaros. Amora, vejo sóis se chovo em tua boca.

Abóbora menina

fotografia de Ana Clara Sacharuk

Abóbora menina

desconheço preceitos
de agronomia
mas insisto jogar sementes
na terra do meu quintal

minha colheita de pretextos
para nutrir poesia

e colho pimentões e tomates
logo após o natal

não entendo alguns conceitos
me quedam as filosofias

essas coisas remetem à cela
que encarcera ao que aprende
e também ao que ensina

e eu... eu sequer sabia
que de uma flor esquisita amarela
brotava fruto de abóbora menina

wasil sacharuk
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