Sabes, Amora, eu deveria pensar em não chover mais em ti, mas isso não importa se usas guardachuva. Amora, não tenho capa sequer uso luvas, saíram de moda. E se te incomoda tu te apartas dos pingos da chuva, te resguardas no abrigo se minha chuva te molha. Mas vai, vai Amora, leva a cadeira e teu maldito guardachuva, senta lá fora sem roupas. Mas naquela hora, amada Amora, eu bem sei que tu ficas louca se eu mergulho nos teus olhos em cântaros. Amora, vejo sóis se chovo em tua boca.

Esculpida nas sinas

Esculpidas nas sinas

escrevi meu rumo em tautogramas
acrostiquei com demônios
escrevi poesia sobre a cama
imprimi com hormônios

esgotei a rotina
da velha rima
da dor e amor
com amor
e com dor

brinquei com as letras
construí certas mutretas
já rabisquei parcerias
com mestres da poesia

dilatei a pupila
simulei na retina
estrofes esculpidas
de histórias sucumbidas
na sina
das vidas

wasil sacharuk

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