Sabes, Amora, eu deveria pensar em não chover mais em ti, mas isso não importa se usas guardachuva. Amora, não tenho capa sequer uso luvas, saíram de moda. E se te incomoda tu te apartas dos pingos da chuva, te resguardas no abrigo se minha chuva te molha. Mas vai, vai Amora, leva a cadeira e teu maldito guardachuva, senta lá fora sem roupas. Mas naquela hora, amada Amora, eu bem sei que tu ficas louca se eu mergulho nos teus olhos em cântaros. Amora, vejo sóis se chovo em tua boca.

Impune e devagar

Impune e devagar

estanque o tempo 
agora
e a ti
esfola
áspera
a barba 

tua nuca
retruca
reclama
fome que esgana
meus dentes
tua pele

beijo a ti
estrela cadente
cai impune
cai devagar

o mesmo ar
que respiras
respiro
de outro abrigo
de outro habitat

e o que querias 
fazer comigo
eu queria contigo
no mesmo lugar.

wasil sacharuk
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