Sabes, Amora, eu deveria pensar em não chover mais em ti, mas isso não importa se usas guardachuva. Amora, não tenho capa sequer uso luvas, saíram de moda. E se te incomoda tu te apartas dos pingos da chuva, te resguardas no abrigo se minha chuva te molha. Mas vai, vai Amora, leva a cadeira e teu maldito guardachuva, senta lá fora sem roupas. Mas naquela hora, amada Amora, eu bem sei que tu ficas louca se eu mergulho nos teus olhos em cântaros. Amora, vejo sóis se chovo em tua boca.

Tesoura

Tesoura

Não faças fita
do elástico
que aperta minha cueca
canção de pagode
dilacerado
grito rasgado
onde o saco
se agarra à cintura

não faças fita
dos meus carpins
e outras meias
de elastano e cetim
que escondem frieiras
e outras nojeiras

não faças fita
da minha camiseta
a mesma que usaste
para secar a boceta
e num relance limpaste
a boca suja de leite

não faças fita
da fatiota de defunto
preciso usá-la muito
numa orgia celeste

não faças fita
das minhas vestes
senão fico pelado
todos verão deslumbrados
a real dimensão
do que queres cortar.

wasil sacharuk


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