Sabes, Amora, eu deveria pensar em não chover mais em ti, mas isso não importa se usas guardachuva. Amora, não tenho capa sequer uso luvas, saíram de moda. E se te incomoda tu te apartas dos pingos da chuva, te resguardas no abrigo se minha chuva te molha. Mas vai, vai Amora, leva a cadeira e teu maldito guardachuva, senta lá fora sem roupas. Mas naquela hora, amada Amora, eu bem sei que tu ficas louca se eu mergulho nos teus olhos em cântaros. Amora, vejo sóis se chovo em tua boca.

Versos míopes

Versos míopes

Rabisco o contorno 
que insinua teus lábios
sorrisinho rasgado
num canto da boca

sigo os teus passos
perambulo à toa
para ver-te andar
ontentando belezas
abstratas

teus cabelos confusos
despencam cascatas
ou deitam assanhados
vinheta que enrosca
aos seios fartos

escrevo-te travessa
meus versos míopes
negam cicatrizes 
que o tempo
poderia tatuar
num calendário
sobre tuas coxas

faço-te nas fantasias
mais loucas
vestida de poesia
desprovida de roupas.

wasil sacharuk



Postar um comentário
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Esse site é apoiado por INSPIRATURAS