Lira imperativa

Lira imperativa

vem poeta
deita na frieza das dunas
junta areia ao teu delírio
faz brisa do mar
das reentrâncias
da musa que inspira
tua fêmea indelicada

bebe nos córregos
aguaceiros e néctar
segue caminhos clandestinos
ocultos nos poros da pele

vira ouro dos potes
objeto de encantamento
tal louco varrido
desprevenido e desarmado

percorre o curso do verso
na ponta da língua
até que te encontres perdido
no labirinto da embriaguez

fode as filosofias
chupa-as e crava
teus dentes furtivos
enquanto escutas a lira
que ressoa em tua boca

wasil sacharuk
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