Sabes, Amora, eu deveria pensar em não chover mais em ti, mas isso não importa se usas guardachuva. Amora, não tenho capa sequer uso luvas, saíram de moda. E se te incomoda tu te apartas dos pingos da chuva, te resguardas no abrigo se minha chuva te molha. Mas vai, vai Amora, leva a cadeira e teu maldito guardachuva, senta lá fora sem roupas. Mas naquela hora, amada Amora, eu bem sei que tu ficas louca se eu mergulho nos teus olhos em cântaros. Amora, vejo sóis se chovo em tua boca.

Tarefa inglória


Tarefa Inglória

repete todo santo dia
faço sempre a mesma coisa
preciso calçar as galochas
e desfilar entre rochas
de mármore e granito

Revisito o mesmo rito
enquanto a carne esfria
se o dito é poeta se lê poesia
se o cujo é crente se lê oração
mas no fim é só casca e caixão

Eu já cavei tantos buracos
ouvindo o choro dos fracos
mandei alguns para o lado de lá
em golpes contritos de pá
e ofícios de carpideiras

Mas, juntar as caveiras
é a tarefa mais inglória
pois vejo uma sombra ilusória
que se lança e se esgueira
nas ruas de mármore frio

Sempre sinto um calafrio
mas aprendi a manter a calma
pois sempre haverá uma alma
assombrando o terreno
em busca de um lugar ameno

wasil sacharuk

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