Sabes, Amora, eu deveria pensar em não chover mais em ti, mas isso não importa se usas guardachuva. Amora, não tenho capa sequer uso luvas, saíram de moda. E se te incomoda tu te apartas dos pingos da chuva, te resguardas no abrigo se minha chuva te molha. Mas vai, vai Amora, leva a cadeira e teu maldito guardachuva, senta lá fora sem roupas. Mas naquela hora, amada Amora, eu bem sei que tu ficas louca se eu mergulho nos teus olhos em cântaros. Amora, vejo sóis se chovo em tua boca.

Sepultada na cova das sinas


Sepultada na cova das sinas

Aberta uma porta
dessas crendices
para qualquer doença
correrão tolices
e desavenças

disseram que a poesia
em algum certo dia
foi vista morta
tanto inexata
confusa e sepultada
na cova das sinas

que sobrou apenas cinzas
sobrou o nada
no viés das vias tortas
dessa vida que tenta
e retenta
mas nunca ensina

e eu e somente eu
que sou assim, meio louco
não conheço o tal deus
e nem tampouco
o fiadaputa do diabo

não temo livro sagrado
sequer tridente ou rabo
picho os muros do céu
e do inferno
num rabisco estabanado

num toque terno
de inocência
e certa demência

estou por aí tão soturno
esmagando cabeças
com meus coturnos
num passo vago
sem sentenças
ou pecados

à direita um anjo
toca trombeta
diz que a coisa tá preta
do outro lado

e um insano capeta
fazendo careta
em tom debochado
diz que porta aberta
quando fecha
sempre deixa uma brecha
donde se vê os estragos

wasil sacharuk


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