Sabes, Amora, eu deveria pensar em não chover mais em ti, mas isso não importa se usas guardachuva. Amora, não tenho capa sequer uso luvas, saíram de moda. E se te incomoda tu te apartas dos pingos da chuva, te resguardas no abrigo se minha chuva te molha. Mas vai, vai Amora, leva a cadeira e teu maldito guardachuva, senta lá fora sem roupas. Mas naquela hora, amada Amora, eu bem sei que tu ficas louca se eu mergulho nos teus olhos em cântaros. Amora, vejo sóis se chovo em tua boca.

Alma das paredes

Alma das paredes

aqui é cinzento
nessas casas lindas
do século XVIII
suas paredes têm alma

aqui são tristes
passam calmas
as noites frias
e dos úmidos dias
apenas ouço
os murmúrios

aqui é escuro
profundo
tal poço
as cores sombrias
perpassam 
os olhos intrusos
que me habitam

eu ainda te vejo
eu ainda te vejo
te vejo
para sempre

apenas ouço
os murmúrios

aqui é cinzento
nessas casas lindas
do século XVIII
suas paredes têm alma

eu ainda te vejo
eu ainda te vejo
te vejo
para sempre.

wasil sacharuk

Mell Shirley - Alma nas Paredes (Mell Shirley - Wasil Sacharuk)
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