Brado

Brado

Bendita!
Baiúca bem bandoleira
beirando baita baderna
balcuciando boas besteiras

Babaquice babilônica
balbúrdia, boatos, balelas
Brasil beirando Babel
baita bafafá... berros!

Bispos batizam bacuris
barganhando bagatelas

Bagulho baixada bem barato
barganhando bagatelas

Barnabés bobos batalham
barganhando bagatelas

Bagunça banalizada
baile barracão
bajulando bacanal
baba baby
bate boca

Bate bateria
batuca
bum bum bum
bota barulho batucada
bota balanço bamba

Brasileira bonita
bota balda
balança bunda boazuda
bole bole balaio
bota banana
bamboleia

Bando bestial
bandidos bizarros
botam banca
bendizendo Brasília

Bondade banida
Bandeira brasileira
beirando bancarrota

Bom, brasileiro bacana
benevolente bocaberta
bebe barril birita bagaceira
bafejando budum...

Bonança!
Bom botar beiços bipartidos
baseado boleado
bota brasa
bota barato!

buuuuuuuuuuu!

wasil sacharuk

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Meus Tons

Meus Tons
 
Algo em mim tem tom lúgubre
caverna escura insalubre
para guardar os meus eus

também cintilo um tom vivo
certo calor radioativo
retido sob os meus véus

minha face é tão pálida
de melanina inválida
para clarear o meu céu

meu sentimento é tão blue
rústico ríspido e cru
matizes frios dos meus breus

e eu me dissolvo nas cores
máscaras das minhas dores
em tons que não são meus

wasil sacharuk

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Churrasco

Churrasco

chamado para a indiada
regalo a los hermanos
o calor desprendido da brasa
e todos guaipecas
na volta da casa

há alemães, italianos, serranos
e a indiada
da nossa invernada
a gaita encanta a mateada
milongueio com os castelhanos

amizade que nunca defasa
e distrai o peão haragano
acolhera toda a tropeirada

a vida a trote
na nossa cavalgada
honra a liberdade
de qualquer orelhano

a cana sempre repassa
enquanto a costela
ainda assa
a fumaça da lenha queimada
afugenta qualquer desengano
e enaltece a minha terra amada

wasil sacharuk

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Da solitude

Da Solitude

Da solitude sou voluntário
não aceito tudo o que vejo
eu não divido minhas crenças
vivo com minhas diferenças

Fui escravo do desejo
fui prior e fui templário
fui de um mundo imaginário
pregador de desapego

Nas conclaves da indecência
forjei união de fé e ciência
do mundo aprendi o segredo
por isso hoje sou visionário

Fui outra vítima do medo
fui guardião do meu relicário
fui mancebo do rei ordinário
a imagem de um arremedo

Da vida entendi a urgência
que a busca não finda cedo
e que sou um rebento diário
recriado da própria essência

wasil sacharuk

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A surpresa tem cara de falsa


A surpresa tem cara de falsa

Como pensas surpreender 
a quem tudo pode esperar?

o que não sei não me surpreende
minha fascinação 
são imagens desfeitas

espelhos diluídos
encantos quebrados
escondidos nos cantos 
do quarto

me surpreende
o que já sei
se o vejo diferente
o que não sei não surpreende

estilhaço estátuas
quebro paredes
busco resquícios de vida
na massa que une tijolos

me surpreende 
o que sei que está dentro
onde não sei onde está

o que nunca sei 
não me desmente
logo, não surpreende

pois a surpresa
tem cara de falsa
de mentirosa
argumento liquefeito

o que não sei não me é
o que não ouvi não me ecoa
o que surpreende 
rasga a garganta silente
e abre ranhuras
nos muros da mente

pelo resto não me fascino
sequer pela vida dura
que renasce no limo
que encobre as ruínas
e tal fênix
revolve a cinza da vida

não há surpresa
na coisa que verte
tão salva e linda
tatuada com a marca
da experiência
sal extraído das lágrimas
que depois se converte
em sorrisos e brilho

o que surpreende 
é o verme imundo 
borbulhante nas gotas 
do sangue mais podre
e habita o hiato da descrença

me interessam
a fraqueza confessa
e a feiura

logo, não me causes espelhos
a refletir lindas faces
tu os engoles
e nunca te engasgas
portanto, engolirás para sempre
para que não te percas de ti

o que me surpreende
apenas seduz
transmutando belezas
as quais eu já sei.

Wasil Sacharuk

Saliva-me - oficina INSPIRATURAS sanctum peccatum

Saliva-me

Despenca aos rios
saliva louca
sussurrada da boca
enlaça-me aos fios

despenca dos brios
tatua as roupas
plasma nas coxas
mistura-se ao cio

saliva-me entranhas
a morte
a arte
as manhas
me apanhes
na língua

saliva-me à mingua
que engulas
a cabeça
até a base
a fraqueza
o destempero
tenhas inteiro
te molhes.

Wasil Sacharuk

Fundição - oficina INSPIRATURAS sanctum peccatum

Fundição

No lapso resvalo
até o córrego
fiapos líquidos
escorrem trôpegos
a inundar os declives

deslizam suaves
ao anel negro diamante

na cavidade
o ferro forjado
em brasa ardente
encontra o encaixe.

Wasil Sacharuk



Limão azedo



Limão azedo

ah, perdoa
o ego que me consome
logo, sei que não mentes
mas não acredito
merecer tua dedicação

não sou digno
de atenção
sequer de amor
problema de autoestima
garantia da rima
com a dor

acaso tens
um amor barrigudo?
velho?
doente?
maluco?

tens não...

queres algo diferente
alguém que chupa limão.

Wasil Sacharuk

virgulinidade - INSPIRATURAS palavrinventada®

virgulinidade

tua virgulinidade...
demarca minhas pausas
eu respiro
e a ti eu denoto
inflexões da minha voz

virgulinidade enfática
saltitante acrobática
delineia tuas expressões
períodos das tuas orações

Virgulinidade tua
te constrói em significados
nua verdade
contra a ambiguidade

que de mim
separas incólume
sindéticas coordenadas
que me explicam
e que me concluem
entre consecutivas orações
divides meus elementos
de mesma função

virgulinidade 
eu respiro
e a ti eu denoto
inflexões da minha voz.

Wasil Sacharuk

bailarinando - INSPIRATURAS palavrinventada®

bailarinando

breves rodopios
sutis deslocamentos
te vejo bailarinando
no vento

tão leve
te inseres
nos meus pensamentos
teus movimentos
dançam na esteira
dos tempos

teus pés tocam lentos
em pontos incertos
mas voas ligeira
bailarinando
faceira.

Wasil Sacharuk

A verborrágica exagerada - Oficina Dicionário Lírico INSPIRATURAS

A verborrágica exagerada

Verborrágica é a vivente
que se vale da verborragia
a incrível arte oratória
de dizer muita merda
sem filosofia
ou qualquer poesia

a que gasta vocabulário
com argumentos otários
de viés insignificante
repleta idiossincrasia
e nada importante

emprenha-te os ouvidos
a verborrágica exagerada
parece um autofalante
que tenta ser eloquente
e não diz nada com nada.

Wasil Sacharuk


Sublime - Oficina de criação INSPIRATURAS sanctum peccatum



Sublime

Fico assim
louco
se te faço louca
se enlaço
teu corpo

todo espaço
nesse quarto
é pouco
ao desacato
devasso e obsceno
que, amoral
é tão pleno
portanto,sublime

aos olhos santos
somos crime
de encantos
nos contornos das coxas
das bundas e bocas
do pau da boceta
e doutras vias

 quando o sol desperta
 gentil inocenta
nossa sodomia
diamante mais bruto
sob a luz desse dia
quando tu és repleta
quando sou poesia.

Wasil Sacharuk

Exercício de clichê - Oficina APCEF/INSPIRATURAS - Meia tijela de versos batidos

Exercício de clichê - Oficina APCEF/INSPIRATURAS

Meia tijela de versos batidos

Quero dar meu caloroso abraço
e fazer uma colocação
aos que estão no fundo do poço
ou na rota de colisão

Quero abrir com chave de ouro
sua mente e seu coração
pelas raias da emoção
vamos quebrar o protocolo

Quero uma atuação impecável
nos palcos da vida real
que tenha importância vital
não seja perda irreparável

Quero respirar aliviado
jamais ser vítima fatal
e viver além do normal
visivelmente emocionado

Quero inserir no contexto
e logo entregar a você
o poema de versos clichês
coroado com êxito.

Wasil Sacharuk

Meu porrete - palavrinventada® (cudouro)

Meu porrete

meu porrete
é milagre de santo
é mistério e remédio
aos sais do pranto
aos males do tédio
um risco no lombo
dos faniquitos

meu porrete
é o cacete
que come no couro
num relance
perfura cudouro
e derrete cudoce.

Wasil Sacharuk

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