Não estou para falar de amor, se ele ainda não dói, nem rói e nem pede flor. Não há flores na minha poesia, pois as arrancadas são mortas, são decoração de sepultura e meu poema é heresia. Conheço esse tal de amor, não encontrei deus algum e amor e deus até podem ser compatíveis mas não dependem um do outro. O único ponto em comum: eles não são invencíveis. Não falarei de coisas que desconheço, pois o meu apreço é pelo amor que sinto e não devo a uma criatura que o senso comum insinua e minha cabeça não atura. Minha escrita é a riqueza que colho do meu presente, mesmo que seja inventado, pois poeta mente, mas não se faz ausente e eu não vivo de passado nem me dedico à tristeza. Só quando fico parado. Grito contra o que abomino e não suporto determinismo. Minha ferramenta é o poema e meu alvo é o sistema. Sou tipo existencialista, meio insano meio analista, falso moralista, talvez sartreano. Tenho a marca da história, todo gaúcho é artista e sou pampeano com muita honra e glória. Sou amigo da filosofia e esta não é feita de fadas nem gnomos e crenças, nem de almas penadas ou universais desavenças. Eu vim aqui escrever poesia e isso para mim não é só brincadeira, pois no fim o que consome energia é o abre e fecha da porta da geladeira

Lama tóxica aos cachorros do Pavlov

Lama tóxica aos cachorros do Pavlov

Está pronto e divulgado o laudo técnico especializado que calcula o teor da contaminação produzida pela lama samarco? Não, né? Talvez as autoridades imaginem que o estudo seja dispensável, afinal, qual a dimensão do sinistro da lama para quem já vive atolado na merda?

Mataram o rio... não dá para comprar outro e botar no lugar. E se desse, não haveria dinheiro... os vagabundos levaram todo. E apenas quem pagará a conta é a qualidade cada vez mais indigna das nossas vidas. Vai ficar nisso mesmo: sem culpados, sem penalidades, sem consciência...

Se o evento ocorresse num país digno, do tipo sério, a análise já estaria pronta e medidas efetivas de recuperação sendo tomadas e os administradores da catástrofe sendo presos.

Já sabemos de antemão que nada será feito. Seria necessário uma quantidade mínima de cidadãos para exigir qualquer medida de reparação. E no parlamento da cidadania, não há quorum.

A lama tóxica que emporcalha a consciência dessa gente é que perfaz o maior dos desastres ambientais. É apenas brasil, terra de políticos corruptos e analfabetos, empresários ladrões e povo abostado... muito abostado.

Vai ficar tudo por isso mesmo... vai virar arquivo audiovisual da rede globo para os zumbis do futuro chorarem a triste sina.

Logo chegarão as festas natalinas, o bigbrother, o carnaval... e nossa gente subserviente e burra estará alegre e festiva a sambar com a bunda de fora sobre um mar envenenado. Que não reclamem mais, afinal, temos a medida exata do retorno das nossas frouxas ações.

Wasil Sacharuk

foto: jornal O Dia - reprodução de tv

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