Não estou para falar de amor, se ele ainda não dói, nem rói e nem pede flor. Não há flores na minha poesia, pois as arrancadas são mortas, são decoração de sepultura e meu poema é heresia. Conheço esse tal de amor, não encontrei deus algum e amor e deus até podem ser compatíveis mas não dependem um do outro. O único ponto em comum: eles não são invencíveis. Não falarei de coisas que desconheço, pois o meu apreço é pelo amor que sinto e não devo a uma criatura que o senso comum insinua e minha cabeça não atura. Minha escrita é a riqueza que colho do meu presente, mesmo que seja inventado, pois poeta mente, mas não se faz ausente e eu não vivo de passado nem me dedico à tristeza. Só quando fico parado. Grito contra o que abomino e não suporto determinismo. Minha ferramenta é o poema e meu alvo é o sistema. Sou tipo existencialista, meio insano meio analista, falso moralista, talvez sartreano. Tenho a marca da história, todo gaúcho é artista e sou pampeano com muita honra e glória. Sou amigo da filosofia e esta não é feita de fadas nem gnomos e crenças, nem de almas penadas ou universais desavenças. Eu vim aqui escrever poesia e isso para mim não é só brincadeira, pois no fim o que consome energia é o abre e fecha da porta da geladeira

Cada crença corresponde com cada cadáver

Cada crença corresponde com cada cadáver

Coveiro chega capela
coloca cruz
castiçais com chamas
canecas
café

Cabe coveiro
colocar corpo
centralizado com caixão

compete colocar cravo
condecorando casaco

conforme chegar cemitério
colocar chapéu
contra claridade
cavar... cavar

convidar criaturas
consanguineas com cadáver
carregar caixão

convém criaturas
com choro caindo
cantar canções
cujo cadáver cantava
conquanto caminhava

colocar cobertura
conduzir caixão
centro cova

comum colocar
camisas clube
cujo cadáver
contribuia

comum chover crisântemos
chuva colorida

cadáver continuará calado
completamente cansado
com culto cretino.

Wasil Sacharuk
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