Sabes, Amora, eu deveria pensar em não chover mais em ti, mas isso não importa se usas guardachuva. Amora, não tenho capa sequer uso luvas, saíram de moda. E se te incomoda tu te apartas dos pingos da chuva, te resguardas no abrigo se minha chuva te molha. Mas vai, vai Amora, leva a cadeira e teu maldito guardachuva, senta lá fora sem roupas. Mas naquela hora, amada Amora, eu bem sei que tu ficas louca se eu mergulho nos teus olhos em cântaros. Amora, vejo sóis se chovo em tua boca.

Metal

Metal

Luzes vermelhas, azuis, amarelas... de mercúrio e neon.
O asfalto e a dança dos faróis.
No céu, lua cheia, noite cristalina.
A mulher anda pela direita, passadas largas, rápidas.
O homem, á esquerda, pouco atrás, ritmo equivalente.
Empunha, o homem, objeto pontiagudo, metal brilhante.
A mulher veste casaco - um grande - gorro de pele, luvas.
Os passos apressados cessam junto à parede do casarão. Manchas vermelhas.
O homem sobre o meio-fio. A mão entreaberta ainda segura o metal.
A mulher abotoa o casado, livra-se das luvas e segue.

Wasil Sacharuk
Postar um comentário
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Esse site é apoiado por INSPIRATURAS