Sabes, Amora, eu deveria pensar em não chover mais em ti, mas isso não importa se usas guardachuva. Amora, não tenho capa sequer uso luvas, saíram de moda. E se te incomoda tu te apartas dos pingos da chuva, te resguardas no abrigo se minha chuva te molha. Mas vai, vai Amora, leva a cadeira e teu maldito guardachuva, senta lá fora sem roupas. Mas naquela hora, amada Amora, eu bem sei que tu ficas louca se eu mergulho nos teus olhos em cântaros. Amora, vejo sóis se chovo em tua boca.

Deslizam lentos


Tela: Kurt Van Wagner


Deslizam lentos

deslizam lentos
os dedos
a boca
o queixo
a cabeça
a face
o tato
o nariz

deslizam lentos
a nuca
os cabelos
os fios

a mão espalmada
que puxa
assim, de leve
para não assustar

lentos
a língua
o nariz
deslizam
as bochechas
o lado
o outro

os recônditos
os dentes
a gengiva
o céu

as mãos
os  braços
os espaços
deslizam lentos

as pálpebras
os lábios
a linha
o desenho…
a umidade
o entorno
as dunas
a volta
o vale

lentos deslizam
os  olhos
que encantados
suplicam sentir.

Wasil Sacharuk
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