Sabes, Amora, eu deveria pensar em não chover mais em ti, mas isso não importa se usas guardachuva. Amora, não tenho capa sequer uso luvas, saíram de moda. E se te incomoda tu te apartas dos pingos da chuva, te resguardas no abrigo se minha chuva te molha. Mas vai, vai Amora, leva a cadeira e teu maldito guardachuva, senta lá fora sem roupas. Mas naquela hora, amada Amora, eu bem sei que tu ficas louca se eu mergulho nos teus olhos em cântaros. Amora, vejo sóis se chovo em tua boca.

Vértice


Vértice

Sei das esferas
tatuadas morenas
que se escondem
no teu céu violeta
a circundar as quimeras

e tuas pernas
se erguem ligeiras
e perfazem
um ângulo agudo
que calculo
setenta ou oitenta

nesse inverno
faz frio quando venta
e nuvens passageiras
me distraem
do meu mundo confuso
meus castelos de areia

e tuas pernas
se erguem ligeiras
e indicam
os meridianos
dos meus fusos

e perfazem
um ângulo agudo
no vértice dos versos

wasil sacharuk
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