Não estou para falar de amor, se ele ainda não dói, nem rói e nem pede flor. Não há flores na minha poesia, pois as arrancadas são mortas, são decoração de sepultura e meu poema é heresia. Conheço esse tal de amor, não encontrei deus algum e amor e deus até podem ser compatíveis mas não dependem um do outro. O único ponto em comum: eles não são invencíveis. Não falarei de coisas que desconheço, pois o meu apreço é pelo amor que sinto e não devo a uma criatura que o senso comum insinua e minha cabeça não atura. Minha escrita é a riqueza que colho do meu presente, mesmo que seja inventado, pois poeta mente, mas não se faz ausente e eu não vivo de passado nem me dedico à tristeza. Só quando fico parado. Grito contra o que abomino e não suporto determinismo. Minha ferramenta é o poema e meu alvo é o sistema. Sou tipo existencialista, meio insano meio analista, falso moralista, talvez sartreano. Tenho a marca da história, todo gaúcho é artista e sou pampeano com muita honra e glória. Sou amigo da filosofia e esta não é feita de fadas nem gnomos e crenças, nem de almas penadas ou universais desavenças. Eu vim aqui escrever poesia e isso para mim não é só brincadeira, pois no fim o que consome energia é o abre e fecha da porta da geladeira

Intertexto sem cor

Tela: Malcolm Liepke

Intertexto sem cor

Repenso palavras 
me travas 
e calas 
insana

invisto semanas 
me enganas  
reclamas 
tolices

disse sandices
me ouviste 
insistes 
apostas

busco respostas 
me emprestas
supostas 
virtudes

quero atitudes 
tu rude 
amiúde 
não gostas

se não me engano
disse Caetano
poeta baiano

"Ah bruta flor bruta flor"

falo de amor
escrevo intertexto
pretexto
pretenso
sem cor.

Wasil Sacharuk

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