Sabes, Amora, eu deveria pensar em não chover mais em ti, mas isso não importa se usas guardachuva. Amora, não tenho capa sequer uso luvas, saíram de moda. E se te incomoda tu te apartas dos pingos da chuva, te resguardas no abrigo se minha chuva te molha. Mas vai, vai Amora, leva a cadeira e teu maldito guardachuva, senta lá fora sem roupas. Mas naquela hora, amada Amora, eu bem sei que tu ficas louca se eu mergulho nos teus olhos em cântaros. Amora, vejo sóis se chovo em tua boca.

No céu da boca

No céu da boca

A língua invade o céu
mergulha na saliva
sem gosto de fel
deixa a paixão cativa

Num movimento insinua
sibilante, ágil e louca
belezas molhadas e nuas
e pousa dentro da boca

A língua é incisiva
entre crinas de um corcel
bebe sedenta e ativa
os espasmos de mel

Pela janela, entra a lua
encontra corpos suados
encaixados à cena crua
os lábios continuam atados

Dhenova e Wasil Sacharuk

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Dhenova

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