Sabes, Amora, eu deveria pensar em não chover mais em ti, mas isso não importa se usas guardachuva. Amora, não tenho capa sequer uso luvas, saíram de moda. E se te incomoda tu te apartas dos pingos da chuva, te resguardas no abrigo se minha chuva te molha. Mas vai, vai Amora, leva a cadeira e teu maldito guardachuva, senta lá fora sem roupas. Mas naquela hora, amada Amora, eu bem sei que tu ficas louca se eu mergulho nos teus olhos em cântaros. Amora, vejo sóis se chovo em tua boca.

Em matéria de amor

Em matéria de amor

não entendo os auspícios
desse meu jeito
sou uma piada
em matéria de amor
não sei se amor
se define em conceitos
sequer se conceitos
têm vida ou cor

imagino que seja
caminho estreito
entre a cumplicidade
e o esplendor
asas abertas
no voo perfeito
passeio rasante
sobre ódio e rancor

não sei do que o amor
talvez seja feito
qualquer argumento
é muito suspeito
mas toda a vivência
tem o seu valor

imagino que seja
tanto rarefeito
não é predicado
tampouco sujeito
mas é indelével
igual ao vapor

wasil sacharuk

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