Sabes, Amora, eu deveria pensar em não chover mais em ti, mas isso não importa se usas guardachuva. Amora, não tenho capa sequer uso luvas, saíram de moda. E se te incomoda tu te apartas dos pingos da chuva, te resguardas no abrigo se minha chuva te molha. Mas vai, vai Amora, leva a cadeira e teu maldito guardachuva, senta lá fora sem roupas. Mas naquela hora, amada Amora, eu bem sei que tu ficas louca se eu mergulho nos teus olhos em cântaros. Amora, vejo sóis se chovo em tua boca.

A alforria das minhocas

A alforria das minhocas

No mundo encantado das letras
habitam tantos e tantos poetas
alguns poucos tanto eloquentes
outros tantos um tanto estetas
mergulhados na água bem quente
da poesia que ferve a catarse

mas quem dera de mim eu falasse
no fim, às dores eu viro a face
já sei que minha praia é outra...

Não sou poeta do tipo
que escreve o que vive
ou que vive o que escreve
mas do tipo que junta
o arquivo e a verve

Risco meus versos no incremento
pensando em conquistar a adesão
com qualquer insano argumento

mas tudo isso é muita pretensão!

almejo aqueles leitores enamorados
que se entreguem de alma e coração
às razões e ao charme da escritura

com certa sorte na boca do intento
o poema arrebenta num dia iluminado
irrompido da ideia infante e pura
ganha o mundo tal cria bem parida

ele chega se encaixando no fluxo
viajando pelos universos utópicos
chega peralta e zombando da vida
com intenções desprovidas de luxo
ou sequer derrames claustrofóbicos

vai cochilar no berço das alucinações

cutuco as teclas no arrebate da ideia
e ainda quente eu a sirvo à francesa
numa bandeja colorida de proposições

mas quando a danada se rende ao ofício
convulsiona a bagunça das incertezas
as minhocas escutam lúdicas canções
e requebram livres no viés das belezas

wasil sacharuk


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