Sabes, Amora, eu deveria pensar em não chover mais em ti, mas isso não importa se usas guardachuva. Amora, não tenho capa sequer uso luvas, saíram de moda. E se te incomoda tu te apartas dos pingos da chuva, te resguardas no abrigo se minha chuva te molha. Mas vai, vai Amora, leva a cadeira e teu maldito guardachuva, senta lá fora sem roupas. Mas naquela hora, amada Amora, eu bem sei que tu ficas louca se eu mergulho nos teus olhos em cântaros. Amora, vejo sóis se chovo em tua boca.

Moldando a água



Moldando a água

lavei tristezas
moldando a água
segurei as belezas
para que não fugissem
pelos vãos

se foram as mágoas
as incertezas
numa correnteza
fez com que sumissem
quando abri as mãos

na vida espalmada
fatalmente molhada
de dentro da pia
de água moldada
escrevi poesia

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Shinichi Maruyama
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