Sabes, Amora, eu deveria pensar em não chover mais em ti, mas isso não importa se usas guardachuva. Amora, não tenho capa sequer uso luvas, saíram de moda. E se te incomoda tu te apartas dos pingos da chuva, te resguardas no abrigo se minha chuva te molha. Mas vai, vai Amora, leva a cadeira e teu maldito guardachuva, senta lá fora sem roupas. Mas naquela hora, amada Amora, eu bem sei que tu ficas louca se eu mergulho nos teus olhos em cântaros. Amora, vejo sóis se chovo em tua boca.

Não cheguei

Não cheguei

Andei
andei
andei
não cheguei
a lugar algum

tal o Caetano
há tantos anos
perdeu o lenço
os documentos
agora espera
que o tempo vente

quem vive poesia
decerto não poderia
fazer diferente
e não me leves a mal
meus óculos de grau
precisam de lentes

estive em busca de mim
e no fim
estive ausente
andei
andei
andei
de frente para trás
de trás para frente

até acho que sei
como funciona
o processo da mente
que agrega valor
rabiscando amor
num poema eloquente

andei
andei
andei
e não cheguei
a lugar algum

ficou tanto prescrito
na estrofe inicial
e nas subsequentes
que não fico aflito
considero normal
e ainda fico contente

wasil sacharuk
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