Sabes, Amora, eu deveria pensar em não chover mais em ti, mas isso não importa se usas guardachuva. Amora, não tenho capa sequer uso luvas, saíram de moda. E se te incomoda tu te apartas dos pingos da chuva, te resguardas no abrigo se minha chuva te molha. Mas vai, vai Amora, leva a cadeira e teu maldito guardachuva, senta lá fora sem roupas. Mas naquela hora, amada Amora, eu bem sei que tu ficas louca se eu mergulho nos teus olhos em cântaros. Amora, vejo sóis se chovo em tua boca.

E se for pecado?

E se for pecado?

Dos pecados não me arrependo
sou desobediente
ovelha infiel
o avesso do crente

Me faço purificado
não sou o criador
nem manipulador
do motor imóvel
adulterado

Nenhum pecado confesso
não sou penitente
minha água benta é ardente
mantenho meus vícios
meus ofícios
meus artifícios
a reza de trás para frente
no rosário de uma serpente

E gosto de dinheiro, muito
de boa comida
da vida bebida
algum excesso
algum descontrole

E continuo irado
depravado
odiado
rancoroso
raivoso
luxurioso
preguiçoso
nada caprichoso
soberbo...
implacavelmente soberbo

Qual beato abençoado
me fará dizimado
por uma ameaça ridícula
de um medo infundado?

E se for pecado?
Não é problema meu
me sinto agraciado
por tudo que a vida me deu

wasil sacharuk

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”E se for pecado?” recitado por Dani Maiolo

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