Sabes, Amora, eu deveria pensar em não chover mais em ti, mas isso não importa se usas guardachuva. Amora, não tenho capa sequer uso luvas, saíram de moda. E se te incomoda tu te apartas dos pingos da chuva, te resguardas no abrigo se minha chuva te molha. Mas vai, vai Amora, leva a cadeira e teu maldito guardachuva, senta lá fora sem roupas. Mas naquela hora, amada Amora, eu bem sei que tu ficas louca se eu mergulho nos teus olhos em cântaros. Amora, vejo sóis se chovo em tua boca.

Trova de guapos

Trova de guapos

Sou taura da presilha até a ilhapa,
não tenho cara de sorro manso;
levo na estampa o bafo de canha,
o baile todo só bebo e não danço!
Sou guasca do mango até a guaiaca
danço com minha prenda e não canso
se vejo um bucho eu passo a faca
de china feia não quero ranço
Sou grosso e ignorante
como salada de urtiga
agarro touro a unha
e nunca bebo o bastante
Sou filho desse Rio Grande
e não me aparto da briga
um diabo  me ronca na cuia
laço égua xucra com barbante
O galpão é meu palácio
meus vassalos são os cuscos
trovo com o tio Anastácio
largando tições pelos cascos
Da coxilha tenho um pedaço
planto meu fumo e chamusco
e trago o rebuliço no laço
gaúcho guapo não faz fiasco
Com permisso, poeta amigo,
escuta este trovador
meu prazer é prosear contigo
pois na rima és professor
Dessa peleia fiz meu abrigo
com o hermano improvisador
sempre responde o que digo
com a grandeza de pajador
Vou me retirar desta trova
pois sou pobre poeta de parca rima
em cada parceria a amizade se renova
e tua cidade, de Cruz Alta se aproxima
De Pelotas te mando essa prosa
da nossa querência campesina
e se Cruz Alta também é formosa
encilho o pingo e vou acima.
Decimar Biagini e Wasil Sacharuk

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