Sabes, Amora, eu deveria pensar em não chover mais em ti, mas isso não importa se usas guardachuva. Amora, não tenho capa sequer uso luvas, saíram de moda. E se te incomoda tu te apartas dos pingos da chuva, te resguardas no abrigo se minha chuva te molha. Mas vai, vai Amora, leva a cadeira e teu maldito guardachuva, senta lá fora sem roupas. Mas naquela hora, amada Amora, eu bem sei que tu ficas louca se eu mergulho nos teus olhos em cântaros. Amora, vejo sóis se chovo em tua boca.

Inexata escansão

Inexata escansão

O poema é catarse
do emergente disfarce
da irreal projeção

Ansiedade anoréxica
de uma fome poética
sem ideal convenção

A retórica insalubre
introjeta o tom lúgubre
reinventando a escansão

O poema é contentar-se
com o displicente inaugurar-se
frente a real inexatidão

Antinomia léxica
de uma sede ética
na sobrevinda árida dos dizeres

Paradoxo inconteste
donde a lugubridade transmuta-se
na força pulsante, da emergente criação.

Luciana Brandão Carreira & Wasil Sacharuk

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