Sabes, Amora, eu deveria pensar em não chover mais em ti, mas isso não importa se usas guardachuva. Amora, não tenho capa sequer uso luvas, saíram de moda. E se te incomoda tu te apartas dos pingos da chuva, te resguardas no abrigo se minha chuva te molha. Mas vai, vai Amora, leva a cadeira e teu maldito guardachuva, senta lá fora sem roupas. Mas naquela hora, amada Amora, eu bem sei que tu ficas louca se eu mergulho nos teus olhos em cântaros. Amora, vejo sóis se chovo em tua boca.

Arremedos

Arremedos

Do pó esfumaçado
Que estas palavras evolam
Respiro as cinzas remotas
Que os meus dizeres calaram

Das chagas abertas nestas mãos
Escorrem as gotas que lavam meus dedos
Pungidas destas veias que levam meus medos
Finalmente trazidas a vida, por estas palavras

A palavra na cara escarrada
Desterrada de sete palmos de segredos
Na ceifa da língua articula arremedos
Que rasga a couraça, meu tudo e meu nada

A mão trêmula que desgarra as palavras
É a mesma mão de um agir obtuso
Do verso que traz meu reflexo confuso
A mão que desata o nó das amarras.

Luciana Brandão Carreira & Wasil Sacharuk

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