Não estou para falar de amor, se ele ainda não dói, nem rói e nem pede flor. Não há flores na minha poesia, pois as arrancadas são mortas, são decoração de sepultura e meu poema é heresia. Conheço esse tal de amor, não encontrei deus algum e amor e deus até podem ser compatíveis mas não dependem um do outro. O único ponto em comum: eles não são invencíveis. Não falarei de coisas que desconheço, pois o meu apreço é pelo amor que sinto e não devo a uma criatura que o senso comum insinua e minha cabeça não atura. Minha escrita é a riqueza que colho do meu presente, mesmo que seja inventado, pois poeta mente, mas não se faz ausente e eu não vivo de passado nem me dedico à tristeza. Só quando fico parado. Grito contra o que abomino e não suporto determinismo. Minha ferramenta é o poema e meu alvo é o sistema. Sou tipo existencialista, meio insano meio analista, falso moralista, talvez sartreano. Tenho a marca da história, todo gaúcho é artista e sou pampeano com muita honra e glória. Sou amigo da filosofia e esta não é feita de fadas nem gnomos e crenças, nem de almas penadas ou universais desavenças. Eu vim aqui escrever poesia e isso para mim não é só brincadeira, pois no fim o que consome energia é o abre e fecha da porta da geladeira

Seis segundos... sete segundos

Seis segundos... sete segundos

Sentiu-se seduzida...

Subitamente
seus segredos
sucumbiram

Sua segurança
solenemente sabotada

Sua sobriedade
simplesmente sumiu
Seu sofrimento... sarou

Sobrou sensualidade...
Sentiu seus seios
sacrificados sob soutien
saírem sólidos...

Suplicava sexo...
sensualmente selvagem
selvagemente sensível

Sentiu safadeza
sacramentada
sequestrando sua santidade
saturando sua sensibilidade

Serviu-se sobre sua serpente
sentiu segredos seminais
sufocarem seu semblante
sensivelmente sádico

Supostamente satisfeita
sorriu solta
sobretudo...
seis segundos
sete segundos
superou solidão
saciando sua sede
sentiu-se serena

wasil sacharuk

seissete
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