Sabes, Amora, eu deveria pensar em não chover mais em ti, mas isso não importa se usas guardachuva. Amora, não tenho capa sequer uso luvas, saíram de moda. E se te incomoda tu te apartas dos pingos da chuva, te resguardas no abrigo se minha chuva te molha. Mas vai, vai Amora, leva a cadeira e teu maldito guardachuva, senta lá fora sem roupas. Mas naquela hora, amada Amora, eu bem sei que tu ficas louca se eu mergulho nos teus olhos em cântaros. Amora, vejo sóis se chovo em tua boca.

Frida e a janela

Frida e a Janela

Eu sou Frida, a abandonada. Aos oito anos fui deixada aqui, na janela. Meus pais queriam amor e foram buscá-lo. A vizinha, Dona Herta, vem todos os dias, quatro vezes, e traz biscoitos, sanduíches e o almoço. EuCYMERA_20161208_091943 aguardo aqui, na janela, enquanto observo o monte, lá no fim, entre a campina e o horizonte. Eu sei de cada movimento, cada quero-quero, pardal e, logo abaixo, sei de cada boi magro e meus dois cachorros. Guaipa e Vanerão comem os restos do gado que morreu de fome. O sol matou o capim e as novas sementes continuam aguardando a chuva, tal como espero meus pais. O que sobrou já não é mais verde. Tem aquela cor tempo queimado, meio amarelo ou marrom.
Meus amigos são os periquitos, que conversam comigo lá do tronco seco. Azuis, verdes e amarelos. Eles insistem em falar sobre tempos tristes que jamais voltarão.

wasil sacharuk

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