Prefácio

Prefácio

Fazer um prefácio
não é fácil
é algo que prende no lastro
tal algo
tanto falso

eis que se abriu cadafalso
entre laços entre laços
nos requebros dos meus rastros
a poetar alabastros
entre a claustrofobia 
e o espaço
e depois servir no antepasto
um pouco de pão com poesia

ai quem me dera um dia
eu cair nos teus braços
depois que juras bandeira
em meu mastro
a bolinar brincadeiras
a arrebentar os esgaços
fazer rasgos
tal quem rasga
a folha da alface
num disfarce
sensual e macabro

e quem me dera eu abro
o meu rabo
a um dedo de poesia
daquelas
que me convence
e ainda pense o que pense
sem eurekas e sem cautela
a segurar o candelabro
enquanto queima a vela

se bem que fazer um prefácio
não é fácil
é algo que prende no lastro
tal algo
tanto falso.

Wasil Sacharuk

Algumas pobrezas me enojam


Algumas pobrezas me enojam

Sabes, não quero ser pobre
do humor que rege o espírito
jamais falte a inteligência
e que me sobrem argumentos

E por isso queimo na febre
que regenera os princípios
que recolhi da ciência
na esteira dos tempos

Qualquer coisa não serve
quero nutrir os meus vícios
honrar minhas preferências
e distribuir meus inventos

Mas algumas pobrezas me enojam
não é a sujeira das comunidades
não a comida que servem às mesas
ou a fraqueza das nossas certezas
sequer a iminência das calamidades

Algumas pobrezas me enojam
são as que dissipam a personalidade
de falsas faces que saem à francesa
das mentiras que inventam verdade
e dos viventes que inventam pobreza

Certas pobrezas me enojam
e nem por isso eu sou nobre
contudo persigo as minhas riquezas
em versos francos de rimas pobres.

Wasil Sacharuk

E se for pecado? (recitado por Dani Maiolo)


recitado por Dani Maiolo


E se for pecado?

Dos pecados não me arrependo
sou desobediente
ovelha infiel
o avesso do crente

Me faço purificado
não sou o criador
nem manipulador
do motor imóvel
adulterado

Nenhum pecado confesso
não sou penitente
minha água benta é ardente
mantenho meus vícios
meus ofícios
meus artifícios
a reza de trás para frente
no rosário de uma serpente

E gosto de dinheiro, muito
de boa comida
da vida bebida
algum excesso...
algum descontrole...

E continuo irado
depravado
odiado
rancoroso
raivoso
luxurioso
preguiçoso
nada caprichoso
soberbo...
implacavelmente soberbo

Qual beato abençoado
me fará dizimado
por uma ameaça ridícula
de um medo infundado?

E se for pecado?
Não é problema meu...
me sinto agraciado
por tudo que a vida me deu.

Wasil Sacharuk


Três Macaquinhos


foto: Dan R. Dick
Três Macaquinhos

Você não vê
as marcas do escarcéu
condena ateu e incréu
não, você não vê
nem eu

e nunca sabe
quando fudeu
entrega tudo a deus
que também nada sabe
muito menos, eu

E você que não ouve
sussurros nesse bordel
os argumentos do réu
não, você não ouve
tal eu

daí não entende
o que aconteceu
no inferno e no céu
que nunca se entendem
menos ainda, eu

E ainda você que não fala
nunca foi a Babel
em pleno apogeu
não, você não fala
sequer falo eu.

wasil sacharuk

Doces Lábios de Sereia


Doces Lábios de Sereia

E lá está a sereia
Com seus olhos-querubins 
A invadir meu peito
Com a leveza de jasmins

Andei aos confins
Para conhecer seu jeito
Cantora de rabo perfeito
And puffy nipples twins

Neste mar me jogo
Afoito, me afogo
A força da maré é fogo
Levou-me a outro mundo-jogo

Neste chão me arrasto
Exausto, me gasto
Me entubo, me mastro
Repasto sobre a areia

De bobo, caio na teia
Sem saber voltar de Bóbus
Como quebrar o encanto da abóbora?
Quem mandou acreditar que real seria?

De tolo, quero a fantasia
Para encontrar a fórmula
Da geometria dos cubos
Nos meus versos místicos

São doces rios seus lábios
Sem ser sábio saí no polo sul
Fui otário se fugi do sol
Encantado de luz e som.

Ateu Poeta & Wasil Sacharuk

Rainha do Diamantinos

Rainha do Diamantinos

Noite passada
perdi o prumo
perdi o rumo
perdi o tino

Sonhei que sonhava
sonhei que dançava
pela madrugada
uma musiquinha
com a linda rainha
do clube diamantinos

Ela era minha sina
ela era menina
ela era poesia
ela era fantasia
do Evandro de Castro Lima.

Wasil Sacharuk

Acaso chores

limits

Acaso chores

Moça
acaso chores
dia inteiro
tenho um lenço
e um travesseiro
de pena de ganso

Moça
te compro flores
um lírio-bandeira
e dispenso
qualquer brincadeira
qualquer contrassenso

Moça
chore os amores
os desvelos
os desenganos
os teus medos
teus desencantos

Moça
acaso cantes
canções do Wando
eu não ligo
e fico assoviando
um rock antigo

Moça
acaso não queiras
mais desmazelos
fiques comigo
sem segredos
entre amigos

wasil sacharuk

Jazz

Jazz

Aqui jazz
poemas
morfemas
perdas e danos
ganhos vitórias
ensaios
o papa
papagaios
um tapa
e beijos
ideais
sertanejos
e nada mais

Aqui jazz
um estrela
o tempo
o lamento
roleta da sorte
registro do karma
Janete do Carmo
um vento
um momento
uma estrada
e mais nada

Aqui jazz
o dia
da poesia
ficar calada
e parada
entre o céu
e o precipício
já que poeta
não é nada
poesia não é nada
e só isso

Aqui jazz
estrofes cadenciadas
maneiras
de Dhenova
e Lena Ferreira
e outras gentes
cachaceiras
que escrevem poemas
sobre tantos dilemas
e o próprio enguiço
é só isso
e apenas

wasil sacharuk


1085436_10200242456574876_525437267_n

Céu de estrelas diferentes

Céu de estrelas diferentes

Não te amofines, irmão
em todos os caminhos
entre a mão
e a contramão
podes trilhar aventuras
e andar nas alturas

Te mando meu abraço
já que eu também ando
tentando e tentando
mas nem todo rumo
eu traço
só ando por onde aprumo

Meu norte
é equidistante ao teu
no céu de estrelas diferentes
e com sorte
alguns entes
decaídos e decadentes

Então, fica com deus
que eu vou em frente
no sopro do Minuano
espargindo as sementes
dos meus eus
e dos meus enganos

wasil sacharuk


Foto0190

Hiato Iluminado

Hiato Iluminado - acróstico

Fecharia meus olhos
Enquanto meu tato
Colorisse teu universo;
Haveriam contornos
Assimétricos abstratos
Ritmando meus versos

Olhos fechados
Salvaguardados mistérios

Olharia encantado
Linces olhos etéreos
Hiato iluminado
Olharia teus olhos
Seduzindo meus versos

wasil sacharuk

21766632_769409359929689_6640751395978057118_n

Aberturas

Aberturas

Há tantas portas
refletidas
caleidoscópicas
promessas
histórias

As linhas retas
emolduram
facetas
sentidos
segredos
escondidos
entre alicerces
e treliças

Verdades mortas
distorcidas
claustrofóbicas
encobertas memórias

Portas abertas
apontam
tal setas
destinos
escolhas
suspensas
por pinos
de dobradiças

wasil sacharuk


Sob um farol de vagalumes



Sob um farol de vagalumes

Contornei a casca do mundo
no balão vagabundo
sob um farol 
de vagalumes

Vaguei sobre os cumes
entre planícies 
e planaltos
voando baixo 
voando alto

Enfim, meu amigo
isso não dói
já fui playboy
já sou mendigo
subestimando estimas
desritmando rimas
eu nem ligo

Levei apenas um dia
tudo é possível em poesia
a gente inventa de tudo

Deitei meu ânimo 
furibundo
encontrei uma graça
no vendaval de fumaça

Daí,companheiro
andei assim
meio chinfrim
meio maneiro
colorindo cores
dolorindo dores
sem paradeiro

wasil sacharuk
maxresdefault
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Esse site é apoiado por INSPIRATURAS