Sabes, Amora, eu deveria pensar em não chover mais em ti, mas isso não importa se usas guardachuva. Amora, não tenho capa sequer uso luvas, saíram de moda. E se te incomoda tu te apartas dos pingos da chuva, te resguardas no abrigo se minha chuva te molha. Mas vai, vai Amora, leva a cadeira e teu maldito guardachuva, senta lá fora sem roupas. Mas naquela hora, amada Amora, eu bem sei que tu ficas louca se eu mergulho nos teus olhos em cântaros. Amora, vejo sóis se chovo em tua boca.

Trapiche das noites

foto: Carolina Pegorini
Trapiche das noites

Um rasgo na noite de luz
a trilha traçada na água
é rumo para os devaneios
instiga enquanto seduz
afasta a ira e a mágoa

Desenho de lua na areia
talvez fosse nova ou cheia
num mundo marcado no meio
por um caminho de madeira
o velho trapiche é o esteio

Navegam mistérios à deriva
naquela laguna tão viva
que acaricia os lamentos
beija a testa dos anseios
com um doce sopro de vento

Sempre que a noite incendeia
a praia se ilumina, mancheia
reflete em cada um dos veios
daquela estrutura altaneira
atracadouro de tantos segredos

wasil sacharuk
Postar um comentário
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Esse site é apoiado por INSPIRATURAS