Sabes, Amora, eu deveria pensar em não chover mais em ti, mas isso não importa se usas guardachuva. Amora, não tenho capa sequer uso luvas, saíram de moda. E se te incomoda tu te apartas dos pingos da chuva, te resguardas no abrigo se minha chuva te molha. Mas vai, vai Amora, leva a cadeira e teu maldito guardachuva, senta lá fora sem roupas. Mas naquela hora, amada Amora, eu bem sei que tu ficas louca se eu mergulho nos teus olhos em cântaros. Amora, vejo sóis se chovo em tua boca.

Sina de estrada

Sina de Estrada

Tenho certos instantes
de cruel lucidez

quando escorre
essa insensatez
que sempre dissolve
meu conceito de tudo
em certeza de nada
e sumo por viadutos
a cumprir as mercês
dessa sina de estrada

percorro tanto chão
sem olhar estrelas

quando morre
o imo da beleza
eis que a vida resolve
me vagar pelo mundo
como alma penada
num abismo profundo
a remoer a aspereza
e essa fome danada

desentendo o levante
dessas ideologias

que implode
a alma das poesias
enquanto desfere
o veneno agudo
da conversa fiada
e num só segundo
suga toda a energia
que vem da tomada

conto que esse tempo
não seja arbitrário

só ele é que pode
andar ao contrário
e fazer pretérito
desse rumo escuro
desde vidas passadas
e subtrai os minutos
para o desaniversário
dessas favas contadas

wasil sacharuk

Postar um comentário
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Esse site é apoiado por INSPIRATURAS